Oasis volta com tudo com “Dig Out Your Soul” - E o doc., Joe Strummer: O futuro está para ser escrito
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Desde a primeira audição do novo disco do Oasis, "Dig Out Your Soul", percebi que a banda havia feito seu melhor trabalho desde seus dois primeiros Cds, "Definitely Maybe" -1994 e "(What´s the Story) Morning Glory" - 1995. Produzido por Dave Sardy, que já havia trabalhado com o Oasis no disco, "Don't Believe the Truth" - 2005 - o lançamento é do próprio selo grupo, o Big Brother Recordings. O Oasis saltou da obscuridade em 1994 para se tornar uma das mais relevantes bandas inglesas da década de 90, junto com bons grupos como The Stone Roses, The Charlatans, Ride e outros do brit rock. Liderada pelo talentoso guitarrista, compositor e encrenqueiro Noel Gallagher, e seu irmão Liam, que pilota os vocais, a banda de Manchester foi capaz de se reciclar, voltando às ótimas canções, relembrando suas origens básicas como Beatles, Rolling Stones e The Who. "Dig Out Your Soul", que foi gravado nos estúdios Abbey Road, em Londres, e mixado em Los Angeles, tem punch do início ao fim. As guitarras hipnóticas, distorcidas na medida exata de Noel, e o vocal climático de Liam, estão presentes todo tempo.
"Bag it Up", a faixa que abre o CD, mostra a vontade que o grupo estava de acertar. Ela é tentadoramente flexível e serve de aperitivo para a segunda canção. "The Turning" começa com uma introdução de bateria logo seguida pelo vocal clássico do Oasis e uma guitarrada muito dinâmica, o que cria um som poderoso e consistente. A música se sustenta na batera, por onde a guitarra distorcida flui com uma nitidez de quem sabe o que está fazendo. A terceira "Waiting for the Rapture", segue conceito rock do disco. Ela é bem Beatles da fase Revolver. Com uma guitarra base que contrasta a levada pesada com a voz até macia de Noel. O CD fica mais rápido e barulhento em "The Shock of the Lightning". É uma clássica canção Oasis dos primeiros anos. Tem clima pra cima sem ser pretensamente grandiosa e eloqüente. Guitarras com tramas exatas. Rock básico, bem feito e que acerta o alvo. Assim como todo disco. I´m over my hearts desire/Í feel cold, but i´m back in the fire/Out control but i´m tied up tight/Come in, come ou tonight, diz à letra que emoldura a harmonia. Teclados estão nessa canção, que também soa psicodélica, sensitiva, abstrata às vezes.

Em um disco tão bacana como esse, que já é um dos melhores lançamentos do ano em minha opinião, junto com os novos do REM, do Racounters e do Metallica, não poderia faltar a tradicional balada Oasiana. E ela vem no melhor estilo. "I´m Outta Time" tem todos os ingredientes para tocar no rádio. Também cai bastante para a influência Beatles, com harmonia ancorada por um piano discreto e coros de apoio que funcionam bem. É impossível não relacionar, mesmo que levemente, a introdução com palmas de "(Get Off Your) High Horse Lady" com "Give Peace a Chance", de Lennon. A música tem uma levada bem bluesy, comandada pelo vocal e a envolvente base rítmica. A segunda parte de Get Off segue num tom mais alto, até desembocar num fim até melancólico e denso. Já "Falling Down" tem ondas de Hacienda, a famosa casa de Manchester de onde brotaram as mais legais bandas de lá. Tem um clima gostoso e uma batera quebrada. Alto astral com um corinho cirúrgico, preciso. Depois, uma gama bem tramada de teclado assola a canção, até o final. Uma cítara (que Noel confessou ser de brinquedo) meio psicodélica adorna a introdução de "To Be Where There´s Life", que mantem o pique de qualidade do disco. A canção confirma que o Oasis uniu o bom e velho rock com pitadas sutis de psicodelismo.
As três últimas terminam um disco que prima pelo equilíbrio do começo ao fim. "Aint Got Nothing" é a mais pesada. Guitarras impiedosas de boas e certeiras, um solo bem realizado, bom gosto, consistência. Um bom blues é o que é "The Nature of Reality". E um blues com tempero Oasis sempre acaba em guitarras um pouco distorcidas e com o característico timbre super identificável de Liam. E, também, da mesma forma, um blues tem que ter um bom solo, simples e bem posto. A canção que encerra "Dig Out Your Soul", "Soldier On", canta reflexões e dúvidas : Hold the line/Friend of mine/Sing a song/Soldier on/Shine a light/For me tonight/Don't be long/Soldier on. Pra mim, o Oasis se reencontrou com sua melhor música, com sua essência. Não que tenha feito álbuns ruins entre "(What´s the Story) Morning Glory" e "Dig Out Your Soul". Mas voltaram com um excelente trabalho.

"Joe Strummer: O futuro está para ser escrito"
A primeira coisa que me veio à cabeça quando assisti o documentário "Joe Strummer: O futuro está para ser escrito" (2007), que estreou no Festival de Cinema do Rio, no fim de setembro, foi a lembrança do avassalador show da banda que assisti em Paris, em 1983, na turnê do álbum "Combat Rock". O diretor Julien Temple, sete anos após filmar o Sex Pistols no documentário "O Lixo e a Fúria", outra vez voltou suas lentes para a cultura pop. Porém, dessa vez, passou longe do modelo de documentário datado, que mistura entrevistas em estúdio a cenas de arquivo. De forma esperta, Temple optou por intercalar cenas raras da intimidade da banda e do vocalista com desenhos animados, tudo muito bem editado e no timing exato. A narração do próprio Strummer, extraída de entrevistas dadas a rádios e TVs, dá ao doc. um diferencial único. O filme mostra um dos principais e melhores grupos do punk do mundo, o inglês The Clash, através do seu principal integrante, o cantor e guitarrista Joe Strummer, morto precocemente em 2002. Além dos tradicionais depoimentos dos outros integrantes do Clash, figuras como Bono Vox, o ator John Cusak, o diretor Martin Scorsese e Flea (Red Hot Chilli Peppers), também falaram sobre o músico. "Strummer foi ídolo em uma época que o rock´n'roll era uma questão de vida ou morte", disse Bono em seu depoimento.
Ao tocar em temas como o suicídio do irmão de Strummer e da época difícil em que o músico que tocava nas ruas de Londres, Temple dá um tom sensível, amplo, sem ser piegas, depressivo, ou dramático. Desde formação da primeira banda, 101ers, à criação do Clash, em 1976, a impressão que dá é que foram anos rápidos e furiosos. Como líder do Clash, Strummer assumiu seu lado político em defesa dos fracos e oprimidos Seu desconforto quando o Clash o transformou num popstar também é enfocado por Temple de forma contundente. O documentário mostra como o egocentrismo do músico acabou com o Clash, e como, mais tarde, ao formar o grupo Joe Strummer & The Mescaleros, recuperou sua auto-estima. Temple ainda conseguiu material raro do Clash (como as demos de White Riot e I'm so Bored with the U.S.A.). O documentário, de forma cronológica e bem construída, mostra um Strummer cheio de vida, som, fúria e amor, especialmente por suas duas filhas. "Joe Strummer: O futuro está para ser escrito", é, com certeza, um documento que, para quem conhece o Clash e Strummer, só faz elevar a admiração pelo homem/músico. Já quem não conhece vai no mínimo, além de entender porque ele foi um dos melhores letristas do punk, correr para a net baixar um Clash, ou comprar um original. Pra começar, recomendo o "London Calling", considerado o melhor disco lançado na década de 1980. Esperemos que passe no circuito normal de cinema das cidades.
link - http://www.mininova.org/search/?search=The+future+is+unwritten
Tommy Gun

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