Dynamite

Entries for month: April 2008

Ótima estréia do Vampire Weekend

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Nascido na Universidade de Columbia, em NYC, o Vampire Weekend estréia em disco com um ótimo trabalho, de nome homônimo, dando uma esperta diferenciada da maioria das bandas novas, e mostrando que transita pelo lado oposto do Strokes em NY. Os músicos descrevem seu som como "Upper West Side Soweto", e poderiam ter um jeito estranho de se vestir, com acessórios marroquinos e muita cor. Ezra Koenig, vocal e guitarras; Chris Baio, bateria; Rostan Batmanglijt, teclados, guitarras e vocais e Chris Tomson, baixo, produzem melodias inspiradas pelo folk, clássico europeu, indie rock e o afro-pop, com letras de construção literária acima da média. Estão sendo chamados de criadores do Afro rock, coisa que acho besteira. Mas, afinal, inventam rótulos pra tudo. Começaram a tocar em festas da Universidade e no circuito literário, além de pequenos clubes, em 2006. Lançaram alguns EPs gravados nos quartos da UC, mas mais a título de registro e experiências.

                                                                                                                                          
                                                                     

 

O barulho em torno do VW começou em 2007. No verão embarca na sua maior oportunidade, quando participa do CMJ Música Marathon , o que acabou gerando um contrato com a XL Records (Racounters, Radiohead, Basement Jaxx, Devendra Banhart, White Stripes, etc). O EP "The Mansard Roof " foi a estréia do Vampire Weekend no selo, seguido desse primeiro álbum, em 2008. Vale dizer que, como Peter Gabriel e Paul Simon (no sensacional Graceland, no qual trabalhou de forma magistral esse mix cultural), mergulhou fundo na fusão entre ritmos, sensações e idéias africanas e ocidentais, mas em um tempo onde essa postura normalmente é superficial, coisa que passa longe da excelência do trabalho desenvolvido pelos vampiros.  Reencarnando o art rock feito anteriormente por Pink Floyd (até os anos 1970), Velvet Underground, Soft Machine, Focus ou Gong - dentro das devidas proporções -, mas usando construções diferentes e acopladas a cultura atual, o grupo se atira na pesquisa, provocando uma bruxaria dos sons, reflexão, atenção e diversão. O resultado são batidas sincopadas, muita percussão e melodias que suportam as mudanças de andamento e de tom.

                                                                                                                                                                          

Com a Internet, capaz de levar ao céu e desmantelar artistas com uma velocidade impressionante, as bandas passaram a produzir música sem qualquer interferência de gravadoras e, por outro lado, colocaram na rede, também, porcarias e modas passageiras. O Vampire Weekend ataca esse mercado diferente com a estratégia de fugir um pouco do NET, de acordo com a sua página oficial. O som dos Vampiros é uma competente colisão de indie, folk, afro-pop e climas de música barroca européia, num mix que cria um som híbrido que parece fluir de forma completamente natural e sem esforço. A banda valida seu som com letras acima da média e um pouco intelectualizadas. Às vezes o disco parece como um roteiro de cinema, sobrepondo ambientes e produzindo uma sensação aventureira. É uma estréia  forte, destilada, concentrada e visceral. De um grupo que cuida da sua música como arte e mostra que cresceu ouvindo várias vertentes e estéticas musicais. Podem viajar entre o pós punk do Franz Ferdinand e os exóticos temperos de violões soulkous, transitando pela música Africana e a brisa tropical, assim como paisagens barrocas européias, sem medo de serem felizes.

 

                                                                   

                                                                                                                                        

Ao contrário da maioria dos grupos que produzem músicas descartáveis e para um rápido consumo, o som do Vampiro não é alienante. "Mansard Roof" e "Oxford Comma", que abordam a arquitetura e gramática respectivamente, têm um ritmo bem construído sobre uma linha de baixo sincopada, com belas e impulsivas melodias.  Aliás, em "Oxford Comma" a letra dá uma lição de geografia do Tibet, numa construção de trincar qualquer rapper. Cordas e harpsichords com nítidas influências barrocas dão a linha de "M79", uma bela canção de inspiração africana e irlandesa que usa guitarras africanas, um clima único e muito root. Batidas punks, flautas andinas e mellotrons são a cara da faixa "A-Punk.", uma deliciosa e grudenta música que pega na alma e pode ser a essência do som dos nova iorquinos, uma levada de ska caribenho também está presente na canção. O vocalista e compositor Ezra Koenig faz a diferença, e me fez ler as letras e procurar referências. Ele dá um conceito hyper realista às letras e canta bem. Surpreende ao rimar Louis Vuitton, reggaton e Benneton. Na sensacional "Cape Cod Kwassa Kwassa" -  Kwassa Kwassa é ritmo de dança criado no Congo e muito popular no fim dos anos 80 - nada de arremedos exóticos como coros de tribos ou cânticos pigmeus, mas guitarras, percussão e flautas que exploram com intensidade e sutileza elementos africanos, além de uma citação a Peter Gabriel.

 Em "Campus", a melhor do "Cd," já um clássico do VW, partes como: "eu vejo você andando pelo campus. Como eu posso pretender não te ver mais?, mostram sentimentos que costumam rondar a vida em uma Universidade. Koenig faz brotar um ar novo, que possui uma esperançosa qualidade. O Vampire Weekend é especialmente perfeito em canções como "I Stand Corrected", uma linda música que começa doce e leve, e vai subindo de temperatura sobre um teclado fatal, e uma bateria simples e direta. É uma quase balada, uma faixa forte e tentadora. Já "The Kids Don't Stand a Chance" lembra, de leve, "Message in a Bottle", só que mais lenta e lírica. Um reggae bem sincopado que tem algo de Marley e The Wailers, trançado por belos violinos e uma interpretação delicada de Koenig. "Walcoat" é a que de longe é a mais parecida com a maioria das bandas atuais e , por isso mesmo, é a mais fraca em um CD de estréia acima da média. Porém, em absoluto, isso significa que a música é ruim. Para um disco de estréia o Vampire Weekend produziu uma ótima coleção de canções fortes, que mostram que o grupo é inteligente, não se apóia em posturas "modernas", mas sim em um trabalho competente e criativo. Rock? Música! Uma estréia para ganhar alguns prêmios, e que pode transformar esse branquelos com sangue africano em uma das melhores bandas do mundo.   

 

 

 

                                                    

                                                     

                                                                 

 

 

                                                                                              A-Punk


Johanna drove slowly into the city
The Hudson River all filled with snow
She spied the ring on His Honor's finger
Oh-oh-oh

A thousand years in one piece of silver
She took it from his lilywhite hand
Showed no fear - she'd seen the thing
In the Young Men's Wing at Sloan-Kettering

Look outside at the raincoats coming, say OH

His Honor drove southward seeking exotica
Down to the Pueblo huts of New Mexico
Cut his teeth on turquoise harmonicas
Oh-oh-oh

I saw Johanna down in the subway
She took an apartment in Washington Heights
Half of the ring lies here with me
But the other half's at the bottom of the sea

                                                                   


                             

       http://www.vampireweekend.com/  

 

                            

                                                                http://www.myspace.com/vampireweekend 

 

Copyleft, a arte de compartilhar

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Pensar em um veículo com conteúdo copyleft numa época onde reina o capitalismo e a indústria cultural é massificada ao extremo pode soar como jogada de marketing. Mas não é. Olhe de ponta cabeça. Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes que alterou as formas de produção e distribuição da arte e do jornalismo. Reproduções, recombinações, colagens, cópias e trocas fazem parte do mundo contemporâneo. E assim, cada vez mais será. A tecnologia se torna invisível e descentralizada, democrática e coletiva. Como controlar o acesso e a distribuição de textos, imagens e sons? É quase impossível. Tornar propriedade intelectual o conteúdo de um veículo que trata de música e cultura seria contraditório e ineficaz.

O copyright aprisiona as informações e as limitam a quem pode comprar, muitas vezes por um preço muito caro. E informação aprisionada não gera novas informações, não se reproduz, não interage, não dá cria. Todo mundo tem direito à informação, ela é essencial para o desenvolvimento do ser humano e da sociedade. O que importa é ver a informação rolar, distribuir, reproduzir, estimular novas idéias, novos projetos. Por isso o conteúdo copyleft tem sido a luta de algumas coletividades e grupos. Porém, é essencial que sempre se dê os créditos de quem produziu o texto e em qual veículo ele foi publicado originalmente.  E isso vale também para todos os formatos de reprodução copyleft. Num cenário independente o copyleft é uma opção interessante para o desenvolvimento de uma rede de cultura forte, instigante, e que faça a energia e as idéias circularem.

É óbvio que apenas estou informando da existência desse movimento, que é organizado e sério. Não significa que cds e a produção de bandas, fotógrafos, escritores e jornalistas podem ser sumariamente apropriadas e utilizadas de forma leviana e fora da lei, já que, os trabalhadores culturais dependem das vendas. O direito de quem produz a obra deve ser salvaguardado com responsabilidade, mas sem os abusos que algumas gravadoras e editoras cometem, porque apesar de investirem, lucram demais sobre as obras lançadas. Por isso, cada vez mais, as produções independentes ganham força no mundo, na forma de pequenas gravadoras e editoras, como um meio de fugir a ditadura das majors. A possibilidade de trocas de experiências e trabalhos de copyleft existe, como, por exemplo, já ocorre no hip hop e na música eletrônica. Só para citar, um exemplo é o mix da música de Phill Collins "In The Air Tonight" com o rap de Tupac Shakur, devidamente permitida por Collins que aprovou e gostou do projeto realizado pela produtora que cuida das músicas do falecido rapper. Claro que Tv, rádio são casos a parte. 

O copyleft (trocadilho com copyright) surgiu como alternativa para combater o copyright e vem sendo utilizado por diversas instituições de ensino, empresas e indivíduos. O copyleft reconhece o autor, mas permite que outras pessoas possam alterar, reproduzir, redistribuir e revender o produto. A restrição é que ninguém pode considerar-se dono do produto. O projeto GNU assegura que, "para um efetivo copyleft, versões modificadas devem também ser livres" (STALLMAN, apud VALOIS, 2003, p. 294). A propriedade intelectual (copyright) é uma barreira para a inclusão social e digital, e atrasa avanços importantes para o desenvolvimento da sociedade. Surgiu há pouco tempo, ou pelo menos bem depois do nascimento de muitas descobertas importantes da humanidade. Sua origem é a Inglaterra, através de uma lei de 1710, mas foi nos Estados Unidos é que ela realmente foi posta em prática. As idéias, poemas, músicas e textos têm naturezas diferentes dos objetos materiais. Eu posso escutar uma música ao mesmo tempo em que outras pessoas a escutam. Apesar disso, as leis de propriedade intelectual foram instituídas. Em 1886, na Convenção de Berna, foi criado o direito autoral, cujo principal objetivo era garantir para algumas editoras o direito exclusivo de imprimir determinadas obras, com a justificativa de preservar a personalidade do autor.

 



                                                                        



                                                        

Além disso, a propriedade intelectual se baseia em duas idéias. A primeira diz que, sem ela, não haverá investimentos em pesquisas futuras. E a segunda diz que ela protege o autor e garante sua subsistência. Bullshit! Todo mundo sabe que o direito autoral garante mesmo é mercado para os distribuidores das obras. Isso é uma longa discussão que há anos vem mobilizando tribunais e grandes empresas, e aumenta cada vez mais o período de direito autoral sobre obras pós morte. No começo, a lei dava direitos ao autor por 14 anos (em vida, prorrogáveis por mais 14 anos se o autor permanecesse vivo), mas hoje em dia, o direito foi estendido para 70 anos após a morte do autor. E pode ser que seja prorrogado cada vez mais. Afinal, a Disney lutará até o fim para não deixar o Mickey nas mãos do povo, não é verdade? (Se essas leis não fossem modificadas, o Mickey seria nosso desde 2003!). 

O Critical Art Ensemble, coletivo de ativistas cujo trabalho se dedica a teorizar sobre tecnologia, arte e política radical, é contra a propriedade intelectual. Acredita que um produto monopolizado por uma empresa ou pessoa física acaba não sendo atualizado e melhorado. Porque a propriedade intelectual não permite que ele seja manipulado, ou que sua idéia seja utilizada na composição de um novo produto. De acordo com o grupo, a "recombinação" sempre contribuiu para novas idéias e invenções. Segundo o CAE, é mais válido explorar novos significados e possibilidades no que já existe, do que "criar" informações consideradas novas, porém redundantes. O Critical Art Ensemble considera o plágio como algo produtivo dentro de uma cultura recombinante, algo realmente discutível. Readymades, colagens, intertextos e combinações representam, de certa forma, o plágio.

                                                                 

                                                                     

 

 

                                                            Coletivos

 

Atualmente, diversos coletivos trabalham com o conceito de autoria coletiva. Entre eles, se destaca o Re:combo (http://www.recombo.art.br), um coletivo de músicos, artistas plásticos, engenheiros de software, DJs, professores e acadêmicos que produz trabalhos de arte digital e música, além de fazer ensaios críticos sobre a autoria e propriedade intelectual. O grupo nasceu no Recife e atua de forma descentralizada em São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, João Pessoa e Rio de Janeiro. Agrega imagens e sons de diferentes lugares. O Re:combo disponibiliza suas músicas, além da sua própria identidade criativa, para quem quiser colaborar e não acredita na unilateralidade - "se faz a chamada e se disponibiliza a ser chamado". Ele imagina um futuro com "uma série de recombos tocando, fazendo shows em cada cidade do mundo, compartilhando samples e loops com o único objetivo de fazer e tocar música". Quem quiser participar das recombinações do coletivo, pode baixar as músicas no site http://www.recombo.art.br ou no portal Open Source, no endereço: http://www.sourceforge.net/projects/recombo. As músicas podem ser remixadas por softwares livres e enviadas novamente para publicação. Toda a produção artística dentro do Re:Combo é automaticamente considerada livre. Porque os participantes assinam digitalmente um "contrato" concordando com o Termos de Licença LUCR - Licença de Uso Completo Re:Combo - que foi criada de forma colaborativa e disponibilizada oficialmente em 2003. Durante o "Fórum Internacional de Software Livre" o grupo Creative Commons prestou uma homenagem ao Re:Combo, colocando o nome do grupo em sua licença destinada a recombinação de músicas. Além de projetos de música e arte, o Re:combo ainda promove palestras, workshops e debates que orientam como produzir e divulgar música. O Copyleft é o futuro democrático das artes e do jornalismo que privilegia a circulação da informação e da arte e, talvez, traga um novo sentido e rumo a produção cultural de qualidade.

 

 

 

 

Rainer Pappon e o Havai

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O músico paulistano Rainer Pappon é conhecido como o alemão da guitarra verde, marca que adquiriu ao comandar com destreza seu instrumento à frente da já mitológica Central Scrutinizer Band, uma das melhores bandas covers de Frank Zappa, de acordo com o próprio gênio americano, falecido em 1993. Em paralelo a CSB, onde demonstra sua paixão pela música feita com dedicação, método e, solos intensos, Rainer tem construído sua carreira de guitarrista, praticando composições instrumentais bem elaboradas e cheias de espaços para solos. 

O alemão deixa claro nas notas, harmonias e escolhas, que carrega na sua bagagem musical, e formação de vida e alma, timbres, ritmos e influências de grupos setentistas como Focus, Yes, King Crimson e outros clássicos. Em tempos em que a construção musical é minimizada pelo rápido e as bandas, em sua maioria,  mandam pra frente  mensagens rápidas e práticas, o músico, apesar de independente e circular pelo circuito underground, acaba, inexplicavelmente, sendo o under do under. Já lançou "O Alemão da Guitarra Verde" (1993) - relançado em 2007;  "The Blurps" (1998); "Tankred" (2005) e o DVD "Live in Havai" (2007).  Estão em fase final de produção o DVD "O Alemão da Guitarra Verde" e seu quarto Cd, ainda sem nome definido.

Em Havai, Rainer e sua banda - Caio Góes, baixo e Humberto Zigler, bateria, fazem um som para quem gosta de música e se atreve a parar para prestar atenção nos detalhes, solos e construções que instrumentos bem acomodados podem desferir. O DVD, produzido pela produtora Tati Mello, da Uhúuu! produções, que fez tudo fora o som, é poderoso musicalmente e a história com uma câmera subjetiva sobre uma moto, que é a linha mestra de ligação entre as músicas, se torna apenas um detalhe .

Feito na raça e com garra, o DVD tem covers clássicos que merecem destaque pela fineza com que foram realizados: Black Napkins e Sleep dirt, de Frank Zappa, ficaram perfeitos, mesmo porque o alemão é especialista no homem; Red, do King Crinson, um obra densa de Robert Fripp, foi devidamente degustada, e a bela canção Sylvia, do lendário e essencial grupo holandês Focus , ficou visceral, direta e me lembrou  a original. Os takes musicais foram gravados no estúdio do músico em Perdizes e, as oito canções de sua composição, são muito boas. É difícil apontar alguma como a melhor, porque em todas achei elementos que me agradaram, mas que talvez não soem tão bem para outros. Comentando o trabalho como um todo, a produção engloba uma sonoridade que possui, desde solos rápidos e partes mais frenéticas, até levadas de introspecção quase jazzísticas. O rock e o progressivo estão presentes em todas as faixas em seu formato mais denso e inteligente, num mix bem equilibrado e de experimentalismo e fluidez roqueira. Havai pode ser definido como uma música que busca a si mesma dentro de um universo de pesquisa e reflexão. O baixo e a bateria, também muito bem tocados, se encaixam meticulosamente na guitarra nervosa e limpa de Rainer.

O formato power trio permite que os músicos explorem seus instrumentos de forma livre, abusando de suas percepções, tensões e limites. Rainer, como sempre, detona sua guitarra verde e lembra - como não poderia deixar de ser - que é um discípulo do Zappa guitarrista. As faixas Já Volto; Na padaria; A vida Inteira; Uau!; Gonanza; Ontem Foi fogo; Perdão e Tô Chegando, explicam porque o músico é considerado pelos músicos e críticos um dos melhores guitarristas do país. Muito bom o DVD, mais pelas músicas do que pelo contexto da história da moto que viaja até o litoral. Mas, afinal, não é isso que vale?

www.myspace.com/rtpappon

 

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