oasis
Mais um fim de ano e o Jukebox têm ótimos motivos para comemorar. Uma média bacana de 60 mil page views mês em um site alternativo, leitores cativos e fieis que deixam suas opiniões e sugestões, e um ano pessoal muito bom. Obrigado a todos. O blog, que sai num role durante as festas de fim de ano, ficará ligado e poderá soltar notícias de lá. E, como sempre, em dezembro, destaco algumas coisas que gostei durante o ano. Então, aqui vão alguns destaques. Em matéria de lançamentos de álbuns e filmes 2008 foi bastante generoso. Shows então, definitivamente o Brasil entrou no circuito mundial. O dólar, na maioria do ano em baixa, ajudou. Mas pelo que se projeta e se divulga, 2009 pode ser ainda melhor. Saiu muita coisa legal, mas, como sempre, minha lista é pequena e básica. Vamos lá.
Quando ouvi pela primeira vez "Dig Out Your Soul", do Oasis, na hora percebi que a banda havia feito seu melhor trabalho desde seus dois primeiros CDs, "Definitely Maybe" -1994 e "(What´s the Story) Morning Glory" - 1995. Foi a redenção de um grupo que se reencontrou com sua melhor veia criativa. É um trabalho dinâmico, orgânico, com músicas poderosas e consistentes. Canções que se sustentam pela garra e punch, por onde a guitarra distorcida flui com a nitidez de quem sabe o que está fazendo, e o que quer. O Oasis deixou, de novo, nítidas, suas influências assumidas de Beatles, The Who e Kinks, realizando uma obra ancorada por andamentos, harmonias, coros de apoio e teclados que se encaixam e funcionam bem. É impossível não relacionar, mesmo que levemente, a introdução com palmas de "(Get Off Your) High Horse Lady" com "Give Peace a Chance", de Lennon. O disco é cirúrgico e preciso. Tem até uma cítara (que Noel confessou ser de brinquedo) meio psicodélica que adorna a introdução de "To Be Where There´s Life". "Dig Out Your Soul" confirma que o Oasis uniu o bom e velho rock com pitadas sutis de psicodelismo e noise para produzir uma obra digna de sua história. Climas intensos e construções bem elaboradas e o característico timbre super identificável de Liam Gallagher fecharam a tampa desse discasso.
five on the five
Outra obra perfeita foi/é "Consolers of the Lonely", o segundo trabalho do Racounters, concebido por Jack White, guitarrista, vocalista e compositor americano, que também comanda o barulhento White Stripes. O Racounters, que é considerada a segunda banda de Jack, mas que pra mim é a melhor, fez um CD irretocável de bom. O disco tem todas as nuances do melhor rock clássico dos anos 60/70. Peso, harmonia, criatividade, variedade e personalidade, com o toque característico das mãos espertas e talentosas de Jack. A sonoridade tem mais a ver com Led Zeppelin, Fleetwood Mac, do tempo do Peter Green, Ten Years After, Blind Faith, do que com as bandas de hoje. O músico é inteligente, pesquisa, ouve, conhece, e foge da mesmice, do lugar comum. O álbum tem todas as qualidades e diversificações como, por exemplo, em "Many Shades of Black", que poderia ser uma coisa do Blood, Sweat and Tears, com os metais e tudo; "Five on the Five", que é uma faixa Led Zeppelin, chapada, incluindo a voz e, sobretudo, os solos de guitarra, um dos quais parece mesmo xerocado de Jimmi Page.
supernatural superserious
"Accelerate" do REM, e ai também se inclue o show, é outro destaque do ano. O trabalho alçou, de novo, o grupo ao topo. Local que sempre esteve, desde sua criação, na primeira metade dos anos 1980. O nome do CD não poderia ser mais apropriado. Visivelmente a banda recuperou a velocidade perdida com o tempo. Não que "Up", "Reveal" e "Around The Sun" tenham sido discos ruins. Mas, em "Accelerate", foram recuperados com gana os timbres de guitarra imortalizados pela banda em canções como "The One I Love" e "Finest Worksong". Porradas como as instigantes e emocionantes "Living Well Is The Best Revenge", "Man Sized Wreath", "Hollow Man" e o ótimo primeiro single, "Supernatural Superserious", deixaram claro, mais uma vez, toda relevância do REM para a história do rock e da cultura pop.
woman left lonely
Um disco delicioso é "Jukebox" da talentosíssima cantora Cat Power. Com suas interpretações etéreas e densas, ela produziu um dos mais intensos e poderosos discos de covers que já ouvi. E olha que já ouvi muitos. Com poder e carisma imprimiu a canções consagradas seu toque pessoal, com muita classe. "I Believe in You", música da fase "gospel" de Bob Dylan, ficou melhor que a original. Não teve medo e gravou até "Ramblin Man", um clássico do grande bluesman Hank Williams, um dos mitos do gênero. Imortalizada por Janis Joplin, "Woman Left Lonely" ficou bem diferente na voz de Cat, bem interessante e doce. Ao contrário da virulência de Janis, ela provou como uma grande cantora pode brincar com uma boa canção. Já "New York", cantada entre outros por Sinatra, ganhou um brilho com a levada cool da cantora. E por ai vai. "Jukebox" é uma sucessão de ótimas interpretações de músicas super bem escolhidas. Não é a toa que Cat Power, com sua sutil tendência ao trip hop, mandou muito bem.
the rip
Uma ótima surpresa foi à volta do inglês Portishead, com "Third", seu quarto disco. O grupo, formado em Bristol em 1991, ao lado do Massive Attack, Trick, Morcheeba e outros, é um dos expoentes do trip hop, lançou depois de 10 anos um trabalho que já era cobrado há tempos pelos fãs. Nada que se compare ao excelente "Dummy", CD de estréia de 1994, mas com certeza é um autêntico Portishead. Logo na introdução da primeira faixa, "Silence", uma frase em português brasileiro anuncia o que esta por vir: "Esteja alerta para a regra dos três; o que você dá, retorna para você; essa lição você tem que aprender; você só ganha o que você merece". A partir daí o grupo construiu uma obra rica em detalhes, sons, cores, minuciosamente dispostos e bem ajustados. Teclados bem utilizados casando com harmonias tensas. Guitarras nervosas. Canções que levam a reflexão, letras idem. E a sempre irrequieta performance vocal da ótima Beth Gibbons. "Third" é bom porque é variado, busca e anda por vários caminhos. Assume várias sonoridades, sem perder a marca que fez do grupo uma referência do estilo. Tem um ar cinematográfico. Um roteiro bem que poderia ser escrito a partir das letras. Que bom que eles voltaram, melhor que foi com um trabalho que garantiu as demandas dos fanáticos adoradores da banda. "The Rip", pra mim, é o destaque de um CD sem erros. Belíssima, envolvente, simples e boa.
Filmes bacanas que vi, e gostei muito, esse ano, são basicamente documentários: Um deles foi o documentário "Patti Smith - Dream of Life", que reflete, com nitidez, a alma e a arte dessa artista voraz, talentosa e combativa. Em sua carreira autêntica e produtiva lançou 11 discos e 12 livros. O filme mostra uma alma visceral em seus poemas e músicas. Uma Patti que continua militante ativa e incansável. Critica com toda força, como fazia nos anos 1960 contra a guerra do Vietnã, à invasão do Iraque, à política israelense contra os palestinos e às leis aprovadas na América para diminuir os direitos individuais a pretexto de combater o terrorismo. A cinebiografia é um projeto da artista com o diretor Steven Sebring, que levou 11 anos seguindo Patti pelas estradas do mundo.
csny, deja vu
Outro é o "Csny, Déja Vu", de Neil Young. O filme declara guerra aberta ao governo de Washington. Recupera velhas canções anti-guerra do Vietnã, misturadas com músicas recentes, como a oportuna "Let's Impeach the President", escrita para "Living With War". Muito bem feito, tem uma edição de imagens frenética e intensa, da bombástica turnê que os Crosby, Stills, Nash & Young fizeram em 2006, contra a guerra do Iraque e o presidente Bush. Basicamente, o filme mostra um concerto de mais de três horas, no qual a banda toca quase todas as faixas de "Living With War" e muitos dos hinos políticos que construíram as suas figuras legendárias, como "Ohio", "Military Madness" e "Found the Cost of Freedom". Apesar da conhecida postura progressista e outsider da banda, muitos fãs se irritaram com a contundência das críticas. Outros se sentiram atraídos. As reações das platéias foram as mais imprevisíveis. Uma forte vibe clarifica as opiniões dos fãs que apoiaram a posição do grupo, em contrapartida aos que se sentiram traídos. Ao mesmo tempo, mostra veteranos da Guerra do Iraque que agora tentam protestar como músicos, políticos ou ativistas sociais. O filme é simples e não tem muitas pretensões. Mas é exatamente isso que o faz especial.
Também gostei do filme Juno, com uma trilha maravilhosa e inspiradora, do documentário "Joe Strummer: O futuro está para ser escrito"; os CDs do Metallica, "Death Magnetic", do Nada Surf, "Lucky", do The Melvins. "Nude With Boots", do Pedra, o Pedra II, o as estréias da Mallu Magalhães e do Supegalo. Bom fim de ano pra todos e um grande 2009.


RSS
2-8-2009
20-7-2009
4-7-2009
15-6-2009
29-5-2009