Dynamite

Entries for month: December 2008

Coisas bacanas de 2008

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                                                      oasis                                                      

Mais um fim de ano e o Jukebox têm ótimos motivos para comemorar. Uma média bacana de 60 mil page views mês em um site alternativo, leitores cativos e fieis que deixam suas opiniões e sugestões, e um ano pessoal muito bom. Obrigado a todos. O blog, que sai num role  durante as festas de fim de ano, ficará ligado e poderá soltar notícias de lá. E, como sempre, em dezembro, destaco algumas coisas que gostei durante o ano. Então, aqui vão alguns destaques.  Em matéria de lançamentos de álbuns e filmes 2008 foi bastante generoso. Shows então, definitivamente o Brasil entrou no circuito mundial. O dólar, na maioria do ano em baixa, ajudou. Mas pelo que se projeta e se divulga, 2009 pode ser ainda melhor. Saiu muita coisa legal, mas, como sempre, minha lista é pequena e básica. Vamos lá. 

Quando ouvi pela primeira vez "Dig Out Your Soul", do Oasis, na hora percebi que a banda havia feito seu melhor trabalho desde seus dois primeiros CDs, "Definitely Maybe" -1994 e "(What´s the Story) Morning Glory" - 1995. Foi a redenção de um grupo que se reencontrou com sua melhor veia criativa. É um trabalho dinâmico, orgânico, com músicas poderosas e consistentes. Canções que se sustentam pela garra e punch, por onde a guitarra distorcida flui com a nitidez de quem sabe o que está fazendo, e o que quer. O Oasis deixou, de novo, nítidas, suas influências assumidas de Beatles, The Who e Kinks, realizando uma obra ancorada por andamentos, harmonias, coros de apoio e teclados que se encaixam e funcionam bem. É impossível não relacionar, mesmo que levemente, a introdução com palmas de "(Get Off Your) High Horse Lady"  com "Give Peace a Chance", de Lennon. O disco é cirúrgico e preciso. Tem até uma cítara (que Noel confessou ser de brinquedo) meio psicodélica que adorna a introdução de "To Be Where There´s Life". "Dig Out Your Soul" confirma que o Oasis uniu o bom e velho rock com pitadas sutis de psicodelismo e noise para produzir uma obra digna de sua história. Climas intensos e construções bem elaboradas e o característico timbre super identificável de Liam Gallagher fecharam a tampa desse discasso.

                                                        

                                                               five on the five

Outra obra perfeita foi/é "Consolers of the Lonely", o segundo trabalho do Racounters, concebido por Jack White, guitarrista, vocalista e compositor americano, que também comanda o barulhento White Stripes. O Racounters, que é considerada a segunda banda de Jack, mas que pra mim é a melhor, fez um CD irretocável de bom. O disco tem todas as nuances do melhor rock clássico dos anos 60/70. Peso, harmonia, criatividade, variedade e personalidade, com o toque característico das mãos espertas e talentosas de Jack. A sonoridade tem mais a ver com Led Zeppelin, Fleetwood Mac, do tempo do Peter Green, Ten Years After, Blind Faith, do que com as bandas de hoje. O músico é inteligente, pesquisa, ouve, conhece, e foge da mesmice, do lugar comum. O álbum tem todas as qualidades e diversificações como, por exemplo, em  "Many Shades of Black", que poderia ser uma coisa do Blood, Sweat and Tears, com os metais e tudo; "Five on the Five", que é uma faixa Led Zeppelin, chapada, incluindo a voz  e, sobretudo, os solos de guitarra, um dos quais parece mesmo xerocado de Jimmi Page.

                                                

                                                 supernatural superserious

"Accelerate" do REM, e ai também se inclue o show, é outro destaque do ano. O trabalho alçou, de novo, o grupo ao topo. Local que sempre esteve, desde sua criação, na primeira metade dos anos 1980. O nome do CD não poderia ser mais apropriado. Visivelmente a banda recuperou a velocidade perdida com o tempo. Não que "Up", "Reveal" e "Around The Sun" tenham sido discos ruins. Mas, em "Accelerate", foram recuperados com gana os timbres de guitarra imortalizados pela banda em canções como "The One I Love" e "Finest Worksong". Porradas como as instigantes e emocionantes "Living Well Is The Best Revenge", "Man Sized Wreath", "Hollow Man" e o ótimo primeiro single, "Supernatural Superserious", deixaram claro, mais uma vez, toda relevância do REM para a história do rock e da cultura pop.

                                                                  

                                                                woman left lonely

Um disco delicioso é "Jukebox" da talentosíssima cantora Cat Power. Com suas interpretações etéreas e densas, ela produziu um dos mais intensos e poderosos discos de covers que já ouvi. E olha que já ouvi muitos. Com poder e carisma imprimiu a canções consagradas seu toque pessoal, com muita classe. "I Believe in You", música da fase "gospel" de Bob Dylan, ficou melhor que a original. Não teve medo e gravou até "Ramblin Man", um clássico do grande bluesman Hank Williams, um dos mitos do gênero.  Imortalizada por Janis Joplin, "Woman Left Lonely" ficou bem diferente na voz de Cat, bem interessante e doce. Ao contrário da virulência de Janis, ela provou como uma grande cantora pode brincar com uma boa canção.  Já "New York", cantada entre outros por Sinatra, ganhou um brilho com a levada cool da cantora. E por ai vai. "Jukebox" é uma sucessão de ótimas interpretações de músicas super bem escolhidas. Não é a toa que Cat Power, com sua sutil tendência ao trip hop, mandou muito bem.  

                                             

                                                      the rip

Uma ótima surpresa foi à volta do inglês Portishead, com "Third", seu quarto disco. O grupo, formado em Bristol em 1991, ao lado do Massive Attack, Trick, Morcheeba e outros, é um dos expoentes do trip hop, lançou depois de 10 anos um trabalho que já era cobrado há tempos pelos fãs. Nada que se compare ao excelente "Dummy", CD de estréia de 1994, mas com certeza é um autêntico Portishead. Logo na introdução da primeira faixa, "Silence", uma frase em português brasileiro anuncia o que esta por vir: "Esteja alerta para a regra dos três; o que você dá, retorna para você; essa lição você tem que aprender; você só ganha o que você merece". A partir daí o grupo construiu uma obra rica em detalhes, sons, cores, minuciosamente dispostos e bem ajustados. Teclados bem utilizados casando com harmonias tensas. Guitarras nervosas. Canções que levam a reflexão, letras idem. E a sempre irrequieta performance vocal da ótima Beth Gibbons. "Third" é bom porque é variado, busca e anda por vários caminhos. Assume várias sonoridades, sem perder a marca que fez do grupo uma referência do estilo. Tem um ar cinematográfico. Um roteiro bem que poderia ser escrito a partir das letras. Que bom que eles voltaram, melhor que foi com um trabalho que garantiu as demandas dos fanáticos adoradores da banda. "The Rip", pra mim, é o destaque de um CD sem erros. Belíssima, envolvente, simples e boa.

Filmes bacanas que vi, e gostei muito, esse ano, são basicamente documentários: Um deles foi o documentário "Patti Smith - Dream of Life", que reflete, com nitidez, a alma e a arte dessa artista voraz, talentosa e combativa. Em sua carreira autêntica e produtiva lançou 11 discos e 12 livros. O filme mostra uma alma visceral em seus poemas e músicas. Uma Patti que continua militante ativa e incansável. Critica com toda força, como fazia nos anos 1960 contra a guerra do Vietnã, à invasão do Iraque, à política israelense contra os palestinos e às leis aprovadas na América para diminuir os direitos individuais a pretexto de combater o terrorismo. A cinebiografia é um projeto da artista com o diretor Steven Sebring, que levou 11 anos seguindo Patti pelas estradas do mundo.  

                                                  

                                                  csny, deja vu

Outro é o "Csny, Déja Vu", de Neil Young. O filme declara guerra aberta ao governo de Washington. Recupera velhas canções anti-guerra do Vietnã, misturadas com músicas recentes, como a oportuna "Let's Impeach the President", escrita para "Living With War". Muito bem feito, tem uma edição de imagens frenética e intensa, da bombástica turnê que os Crosby, Stills, Nash & Young fizeram em 2006, contra a guerra do Iraque e o presidente Bush.  Basicamente, o filme mostra um concerto de mais de três horas, no qual a banda toca quase todas as faixas de "Living With War" e muitos dos hinos políticos que construíram as suas figuras legendárias, como "Ohio", "Military Madness" e "Found the Cost of Freedom". Apesar da conhecida postura progressista e outsider da banda, muitos fãs se irritaram com a contundência das críticas. Outros se sentiram atraídos. As reações das platéias foram as mais imprevisíveis. Uma forte vibe clarifica as opiniões dos fãs que apoiaram a posição do grupo, em contrapartida aos que se sentiram traídos. Ao mesmo tempo, mostra veteranos da Guerra do Iraque que agora tentam protestar como músicos, políticos ou ativistas sociais. O filme é simples e não tem muitas pretensões. Mas é exatamente isso que o faz especial.

Também gostei do filme Juno, com uma trilha maravilhosa e inspiradora, do documentário  "Joe Strummer: O futuro está para ser escrito"; os CDs do Metallica, "Death Magnetic", do Nada Surf, "Lucky", do The Melvins. "Nude With Boots", do Pedra, o Pedra II, o as estréias da Mallu Magalhães e do Supegalo.  Bom fim de ano pra todos e um grande 2009.

                                                             

 

Coldplay acusado de plágio outra vez

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                                                           creaky boards + coldplay

 A monótona banda inglesa Coldplay, que faz tudo para ser o U2 do século 21, mais uma vez é acusada de plágio. De cara, levando-se em conta a inconsistência musical e a falta de pegada do grupo, a notícia justifica a reflexão. Mas, após uma simples audição e comparação das músicas, a certeza é quase absoluta. Vamos à história. Primeiro, em junho desse ano, foi a gritaria de Andrew Hoepfner, vocalista da banda americana Creaky Boards. Em carta aberta à imprensa, ele disse que Chris Martin, vocalista e compositor do Coldplay, se "inspirou demais na faixa" "The Songs I Didn't Write" para escrever seu colossal novo single, "Viva La Vida". Ele acusou o inglês de ter visto uma apresentação de seu grupo em outubro de 2007 em NYC. O próprio Andrew enfatizou que as faixas são idênticas: "chatas, planas e feitas para emocionar adolescentes em épocas de coração partido". Bom, lerdeza e melancolia são as marcas registradas do Coldplay, que, como 80% do rock de hoje, é feito para embalar um mercado musical que se pauta, e se nutre, de formas bacaninhas que se repetem pela mesmice e são de fácil mastigação. Como eu sempre me pergunto, cadê o real rock? Aquele dos mods, dos punks, do psicodelismo, da pesquisa, do grito, do flower power e da boa música, ou da ruim, mas com alma. Até as bandas bacanas do brit rock dos anos 90 foram medianas. Hoje, sim temos os super legais Racounters e White Stripes, do genial Jack White, e mais...mais o que?  Ah sim, talvez o Arctic Monkeys e Kaiser Chiefs.                                            

                                                    

                                                      coldplay + satriani                  

                                                  

                                                           joe satriani

Mas voltando ao plágio, a linha vocal quase idêntica e as notas similares dão força ao argumento do Creaky Boards. Já o candidato a clone do Bono, Chris Martin, através de um porta-voz, negou qualquer inspiração dos ingleses, dizendo, inclusive, que a faixa foi gravada e finalizada em março de 2007.  Ele também disse que Chris não estava no show da banda americana em Nova Iorque. Estaria gravando nos estúdios Air Studios, em Londres. Sinceramente, ouvindo e comparando, sou mais o Andrew. Compare os vídeos. Pra mim o melhor seria encaixotar as duas bandas e enviar para a estação orbital e joga-las no espaço. E, pra assar ainda mais a batata do Coldplay, dia 5 de dezembro, agorinha mesmo, foi a vez do incontestável e talentoso guitarrista americano Joe Satriani, acusar o Coldplay de plágio. Ele informou com todas as notas e letras que a mesma música, "Viva la Vida", do último CD da banda britânica, copiou trechos de sua canção "If I Could Fly".                                                           

                                                 

                                                        coldplay

Segundo o conceituado site inglês NME, Satriani disse que o Coldplay usou "substanciais porções originais" de sua música, que saiu no disco "Is There Love In Space?", de 2004. Em razão disso, ele quer receber todos os lucros obtidos pela banda britânica com a canção. Sabemos que acusações de plágio rolam por ai desde que se inventou o fonógrafo. Lembra-se de Jorge Ben Jor acusando Rod Stewart de ter plagiado a canção Taj Mahal?  Não se espera que os fãs do Colplay dêem muita relevância ao fato, afinal, eles gostam de Coldplay e grupos afins. Da mesma forma, não se pode esperar que uma banda fraca e com um repertório idem, que em seu mais recente disco tentou descaradamente imitar o já cansado U2, tenha a postura e a importância para a história do rock como, por exemplo, só pra ficar em um nome, que o fenomenal e muito vivo The Who tem. Só um argumento pra sustentar isso: Quantos grupos foram influenciados pelo Who? Quantos serão pelo Coldplay? Tenho três CDS do Coldpaly, "A Rush of Blood to The Head", "X&Y" e "Viva La Vida Or Death", por dever de ofício. E  nenhum deles me emocionou, salvo uma ou duas canções. O que, convenhamos é irrelevante para três discos. Ouço, vejo e cheiro mas não sinto um rock consistente, energético ou de personalidade no Coldplay. O que percebo é um amontoado de músicas fracas e sem força. Acredito no plágio pelo que ouvi, principalmente, e pela discutível qualidade do Coldplay, mais um produto do pacote do fraco rock que se faz hoje.  Apesar de ser uma tremenda picaretagem, duvido que os seguidores do "novo rock" vão ligar. Simplesmente, porque referências ruins acabam minando a reflexão, a criatividade, o bom senso e analise critica das pessoas. No fim, tudo é pautado por baixo.   

 

  
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