(fotos: La Cumbuca. Visitem o site, é bem bacana)
Quando o conheci na California, Eugene Hutz, o cigano louco à frente do Gogol Bordello, havia revelado sua paixão pelo Brasil, e garantido que viria ao país dentro de um mês para passar um tempo e fazer uma festa na Lapa. Bem, o fato é que ele cumpriu a promessa na semana passada.
A festa de nome estranho (“Ciganomania”) foi realizada em parceria com a galera da Go East, que já vem cantando essa bola do balcan beats aqui no Rio há uma pá de tempo. E vou falar que foi bacana. A bem da verdade, MUITO bacana.
Pra começar, Eugene nas picapes é louco. Quase tão louco quanto quando está em cima do palco à frente do Gogol Bordello. Tudo que o cara tem de afável no convívio social, transforma em dinamite quando está on stage.
Apesar da noite chuvosa, o Cine Lapa não poderia estar mais cheio: por volta das duas da manhã, era difícil se mover pelo local. Some-se isso à empolgação (desmedida, é bom frisar) por se ter um private show de um semi popstar no quintal de casa, e a noite estava completa.
A coisa funciona mais ou menos assim: Hutz domina as picapes, sem intervalos, à noite toda. Até aí, o que rola é uma discotecagem até certo ponto tradicional, se por “tradicional” se entende um DJ que toca de música cigana a Mano Negra; de house a hard rock; de forró a Ultraje a Rigor (!!!). De tempos em tempos, no entanto, o figura liga o microfone, pega o violão, e detona (de maneira largada) algumas músicas. E aí, invariavelmente, termina por levar algo de sua banda, para o delírio dos fãs (o escriba incluído). Rolou “Wonderlust King”, “Start Wearing Purple” (essa em uma surreal versão, mixada com “Morena Tropicana”), “Not a Crime”, entre muitas e muitas outras. Tudo ali, ao alcance das mãos.
Pra tornar a coisa toda ainda mais bizarra, a namorada de Hutz, Mititika, fazia performances esquisitas em cima de um palco improvisado (na verdade, dois bancos colocados lado a lado; até onde eu vi, nenhum acidente havia acontecido, mas isso não parecia assim tão distante).
Em um certo momento, a noite já avançada, Eugene largou a picape e se atracou com uma groupie rebolante. A namorada fez a liberal, nem aí, mas começou a pegar pesado na dancinha. A coisa deu pinta de que ia ficar naughty. Não fiquei pra ver como terminou.
Redundante dizer que não chegou aos pés da porrada que é o Gogol ao vivo. Vi os caras no Coachella, e digo que a experiência é fenomenal. Mas ainda assim, foi uma festa como poucas nos últimos tempos. Eugene garantiu que a banda toda vem pro Tim Festival esse ano. Aí o bicho vai pegar de verdade.

RSS
4 Jun, 2008 às 7:30 PM Porque vc quer uma festa tipo cigano punk, essa aí era do tipo cigano hippie? uma moda tem a ver com a outra , neo-hippie, linha cigano tradicional, ultraje a rigor de new wave comédia, tem tudo a ver com a essencia, a essencia é tudo !!!
Claro que o punk não morreu!!!Continua instigando, tanto ao Norte quanto ao Sul. E influenciando as civilizações.
Eu não queria aqui ter que falar que é uma coisa que até hoje milenios passados os ciganos nem tchan!!!
10 Jun, 2008 às 6:32 AM Gogol Bordello é FODA.