Dynamite

Fui ali em cima e já voltei

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De volta ao Brasil e aos posts. 

New York é indie. Ligue a televisão, e lá está o I’m From Barcelona tocando na propaganda da Chrysler. A loja da Gap na Sétima Avenida rola Primal Scream e Gossip. Regina Spektor tocando no Brooklyn com fila dobrando a esquina. Kate Nash esgotando ingressos com um mês de antecedência.

Posso estar errado, mas na real, a coisa toda me parece ser muito mais uma questão de acesso do que propriamente de qualidade. Lá, como aqui, existe um underground bacana (embora com algumas coisas xoxas) e um mainstream xoxo (embora com algumas coisas bacanas). Mas vá em qualquer banca, e você tem pelo menos umas dez ou quinze publicações grandes com artistas minimamente interessantes na capa, de My Morning Jacket a Black Keys. Você chega na Best Buy (uma espécie de Lojas Americanas de lá, na falta de correlato melhor), e vê o CD de uma artista como a Santogold em todas as pratilheiras. O indie conseguiu se estruturar como mercado, e isso é bacana.

Tudo isso só para me levar a concluir que eu cheguei na cidade nas duas piores semanas de shows da história de NY. Tirando a já citada Regina Spektor e o mediano Tokyo Police Club, que se apresentaram em um anexo de uma simpática loja de discos no Brooklyn (que está revitalizado e lindo, milhas distante do caos urbano de Manhattan), absolutamente nada de relevante aconteceu na ilha durante a minha passagem. O Gossip tocou no Webster Hall um dia antes de eu chegar. O Verve no Madison Square Garnde dois dias depois da minha partida. New Model Army, confirmado para o lado do meu hotel, terminou cancelado dias antes. Como eu disse, acho que é um lance pessoal.

A noite da cidade parece estar ressurgindo na forma de pequenos e bem comentados clubes, como o Love e o 205. Ainda assim, dizem, está bem longe do que foi nos anos pré-Rudolph Giulianni.

O falecido CBGB’s, no Village, fechou as portas no ano passado, e agora é ocupado pela loja do estilista John Varvatos. Pelo menos o cara teve a decência (e o tino comercial) de manter relativamente inalterada a arquitetura da casa. E isso é tudo de bom que dá pra dizer, uma vez que ao invés de shows alternativos, o local abriga agora camisetas no estilo punk (com todas as aspas do mundo), por não menos que duzentos dólares cada. Mesmo assim vale a visita. Ou não, sei lá. Mas eu me sentiria culpado se fosse a NY e não pisasse lá. E a região da Bowery continua bem bacana, bem mais suja que o centrão de Manhattan.

Outra coisa interessante é ver como os discos de vinil vem ressurgindo em escala comercial na cidade, com os preços disparando a medida que os dos cds despencam. Em qualquer megastore de Manhattan dá fácil pra achar títulos legais em cd por oito ou até cinco dólares, ao tempo que os vinis variam entre 15 e 20, podendo chegar aos absurdos 44 dólares que eu vi cobrarem por uma edição especial do “Goo”, do Sonic Youth. Nas regiões mais descoladas do Village são bastante comuns cartazes do tipo “compro coleções”,  e as lojas de vinis usados pipocam a cada esquina.

Praticamente toda banda de rock agora lança versões de seus novos trabalhos em vinil: o novo do Radiohead está por toda a parte na megastore da Virgin; o Raconteurs lançou uma versão dupla de seu “Consolers of the Lonely”, e o Hercules and Love Affair lançou uma luxuosíssima edição de seu primeiro trabalho homônimo. Comprei o novo do Portishead, “Third”, lindo de morrer. Mas a vontade era levar a coisa toda.

O resto fica pra breve, a tendência agora é retomar a rotina normal de posts. Amanhã eu falo sobre o Coachella. O bicho pegou no deserto da Califórnia. Estou fazendo a D.A.N.C.E até agora.

2 respostas para “Fui ali em cima e já voltei”

  1. Dum Disse:
    Guilherme, boa compra de vinil a sua. Aqui mesmo em SP tem esses vinis novos que você citou, inclusive o Racounters, lá na Baratos & Afins. Pelo menos tinha em uma das últimas vezes que fui lá. Esse e muitos outros. Antigos e lançamentos recentes.
  2. xplastic Disse:
    Falta crescer a cena indie no Brazil ! MAs ta indo ...

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