Alguns poucos pontos sobre o show do Ozzy:
- O que foi o Zakk Wylde saindo no braço com o público do gargarejo no meio de “Paranoid” pra pegar a guitarra de volta? Cena no mínimo surreal. Depois voltou pro palco com cara de putinho. Na boa, foi jogar pra que? Perdeu, playboy...
- O som da Arena estava uma verdadeira bosta. Quiçá, o pior que eu já ouvi em shows ao vivo. Ao longo da noite, variou entre o baixo, o embolado e o abafado, conseguindo, em determinados momentos, a proeza de unir os três. Disseram que o som no dia do Dylan estava OK, o que me leva a crer que a culpa só pode ter sido mesmo da técnica dos gringos.
- Quando o show perigava esfriar, o cara vai lá e me tira “No More Tears”, que há muito andava de fora dos setlists. Poderia ter sido “Desire”, “Sabbath Bloody Sabbath”, “Perry Mason”, “Snowblind”...enfim, em uma única palavra: repertório.
- Ozzy está fisicamente decrépito, mas depois que esquenta vai bem, chegando a ensaiar uns pulinhos no final. E a voz continua a mesma, maravilhosa em toda a sua imperfeição.
- O baterista Mike Bordin (ex-Faith no More) é realmente um monstro, mas ficou a impressão de ter atravessado duas ou três vezes. Como o som estava de fato incompreensível, fica com o benefício da dúvida. Errando ou não, o homem toca feito um touro.
Segue abaixo a resenha do show feita para o portal. Não curto postar textos muito longos no blog, mas acho que aqui cabe uma exceção.
03/04 - HSBC Arena - Rio de Janeiro
Para quem desejava morrer antes de envelhecer, o Rock and Roll vem mesmo superando expectativas. E se, em um ritmo tão fortemente ligado à juventude, quem anda mandando são os velhinhos (vide o frenesi causado pela passagem de Bob Dylan pelo país, e a igualmente comentada estréia do documentário “Shine a Light”, sobre os Rolling Stones), o Brasil teve a oportunidade de receber esta semana uma estrela maior do estilo: ninguém menos que Ozzy Osbourne, ainda polêmico do alto de seus 59 anos, e que desembarcou no HSBC Arena, no Rio de Janeiro, para dar início à sua terceira turnê brasileira, em uma noite que teria ainda as apresentações de Korn e Black Label Society.
Devido ao caótico trânsito carioca (e à inconseqüente decisão da produção de começar um show às 19h30 de uma quinta-feira), não foi possível ver a apresentação do Black Label Society, interessante banda capitaneada pelo guitarrista de Ozzy Osbourne, Zakk Wylde, e cuja performance foi bastante elogiada por aqueles que conseguiram chegar a tempo ao local.
Próximo na seqüência, o Korn entrou no palco amparado por uma boa base de fãs, que compareceram ao show para vê-los. Não era para menos: em mais de 10 anos de carreira, tratava-se da primeira apresentação do grupo em solo carioca (já havia se apresentado anteriormente em São Paulo). Ainda que longe de sua melhor forma nos trabalhos em estúdio, a banda permanece poderosa ao vivo, amparada pelo carisma do vocalista Jonathan Davis e pelo baixo estalado de Fieldy, como demonstraria logo na seqüência inicial, com “Right Now” e “A.D.I.D.A.S”.
Mesmo prejudicada pelo som baixo e embolado (e que só faria piorar ao longo da noite), a banda deu conta do recado satisfatoriamente, com os óbvios pontos altos em seus hits da década de 90, como “Freak on a Leash” e “Got the Life”, e chegando a emendar um trecho de “We Will Rock You”, do Queen, após “Coming Undone”.
Empunhando seu clássico pedestal de microfone desenhado pelo artista plástico H. R. Giger, Davis se mantém um bom frontman, interagindo o tempo todo com o público e segurando a onda mesmo nos momentos em que uma parcela da platéia começou a gritar por Ozzy Osbourne. Atitude, por sinal, um tanto desrespeitosa: o Korn obviamente já teve seu momento, e mesmo em sua melhor fase (em meados da década passada), jamais se aproximou da importância (e da qualidade) da atração principal da noite; ainda assim, trata-se de uma banda que tem seu valor (de outra forma, não seria convidada pelo próprio Osbourne para abrir sua turnê), como ficaria provado ao início da execução de “Blind”, música mais famosa da carreira da banda, e que provocou um verdadeiro terremoto na Arena, deixando o público devidamente aquecido para o que viria a seguir.
Era palpável a ansiedade do público perante a iminência da entrada no palco de Ozzy. Os “buracos” na pista, consideráveis no show do Korn, foram preenchidos tão logo se encerrou a apresentação dos americanos, e os telões laterais estamparam o nome do cantor. Uma coletânea de sucessos do AC/DC fazia a (apropriada) trilha sonora da espera daqueles que, em grande parte, se encontravam a poucos minutos de ver o ídolo pela primeira vez (a última apresentação do cantor em solo brasileiro havia se dado em 1995, há 13 anos).
Pouco antes das 22h30, as luzes se apagaram e a voz de Ozzy começou a soar no P.A, dando início a uma histeria coletiva, que só faria aumentar ao começo da cantata “Carmina Burana”, que marcou a entrada da banda no palco.
A escolhida para abrir os trabalhos foi “I Don´t Wanna Stop”, do último trabalho do cantor, “Black Rain”. A partir daí, no entanto, o que se veria seria um festival de hits: “Bark at the Moon”, “Suicide Solution” e “Mr. Crowley” foram tocadas em seqüência, causando verdadeira comoção, em especial na última, em cujos primeiros versos a voz de Ozzy chegou a ser abafada pelo coro vindo da platéia.
Apesar das quase seis décadas de usos e abusos, o cantor se mostra em forma surpreendente: corre de um lado ao outro do (enorme) palco, molha a platéia com repetidos baldes d’água e chega a mostrar seu (quase) sexagenário traseiro ao público, além de cantar com a mesma voz que, embora exiba os deslizes de sempre, ainda é a mesma que marcou a história do Rock à frente do Black Sabbath.
A antiga banda, aliás, não ficou de fora da apresentação, para a alegria da velha guarda presente ao local.
“Chegou a hora de tocar uma do Black Sabbath”, disse, antes dos primeiros acordes de “War Pigs”, clássico da antiga banda do cantor, e cuja execução foi apropriadamente ilustrada por imagens de guerras exibidas no telão.
A rotação continuou em alta, com “Crazy Train” e “Iron Man”, segunda do Sabbath a ser executada na noite, e que desta vez foi tocada em uma versão um pouco menor que a original.
“Vocês querem ouvir ‘No More Tears’?”, perguntou Ozzy, levando como resposta um silêncio retumbante. Explica-se: a música, das mais conhecidas da carreira solo do cantor, vinha ficando de fora de praticamente todos os setlists da atual turnê. Para a incredulidade geral, no entanto, foi ela mesma, com sua conhecida introdução tocada no baixo, que viria a seguir, gerando uma verdadeira catarse.
A primeira parte da apresentação seria encerrada com “I Don’t Wanna Change the World”, tocada com andamento ligeiramente mais cadenciado que o da versão de estúdio (Osbourne, do alto de seus 59 anos, tem suas limitações).
O curto bis incluiria a balada “Mama I’m Coming Home”, e seria encerrado com a mais do que clássica “Paranoid”, também do Sabbath, que deu origem a uma roda enorme na pista da Arena, e ao fim da qual algo no mínimo não usual ocorreu: no calor da apresentação, o guitarrista Wylde jogou a guitarra para a platéia, na certeza de que iria recebê-la de volta para concluir a apresentação. Resultado óbvio: o instrumento foi absoluta e completamente destruído pelos fãs. Conseqüência não tão óbvia: Zakk, atônito ao perceber que perderia o instrumento, mergulhou na platéia para literalmente sair no braço por sua posse. Sem reação, a banda não teve opção, senão encerrar a música só com baixo e bateria, enquanto o guitarrista lutava com os fãs, para finalmente retornar ao palco com o que sobrou da guitarra.
Um encerramento apoteótico para um concerto não menos que histórico. Ao fim, fica a certeza de que, se como dissera o AC/DC, há um longo caminho até o topo do Rock and Roll, Ozzy Osbourne o percorreu inteiro, e continua detonando como poucos. Para ficar na memória por muito tempo.

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9 Apr, 2008 às 2:24 AM ótimo texto, meu filho. ja sou seu fã. qual é o email de contato, sem querer soar HOMOESPECULATIVO, mas ja soando e foda-se?
10 Apr, 2008 às 1:06 AM Fala aí camarada
Legal que esteja gostando dos textos! O email é sorgine_255@hotmail.com
Grande abraço!
11 Apr, 2008 às 2:02 AM Lendo o seu texto sinto um remorço de não ter ido a esse show. Acho que pouco me importaria com o som abafado, baixo e embolado, e até aturaria Korn, pois mestre igual a esse, como o Ozzy, está difícil de se ver hoje em dia. Muito bom texto.