Dynamite

Entries for month: June 2008

Weezer - The Red Album

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O Weezer é o típico caso de crítica certa feita da maneira errada. Pois vejam bem. Todo lançamento de disco da banda é a mesma ladainha: uma pá de gente dizendo que é tudo igual, que a banda se repete, que estão lançando o mesmo disco desde sempre. Digamos que o caso fosse mesmo esse: haveria, eu pergunto, problema tão grande? 

A música pop é, em grande parte e desde sempre, sobre repetição. Não estou pregando aqui que ouçamos sempre a mesma música, mas daí a querer que uma única banda revolucione a história do rock de dois em dois anos já passa dos limites. Para isso existem as vanguardas, o experimentalismo. E o Weezer está bem, bem longe disso. Cada um no seu quadrado.

Meu ponto é: se os caras tiveram a manha de forjar uma fórmula boa, não fazem mais do que estar em seu direito ao exercitá-la. O REM parece ter entendido isso agora, e fez seu melhor álbum em anos, “Accelerate”, no qual eles...voltam a fazer o que faziam na década de 80. E foram devidamente celebrados por isso. Pela mesma crítica que mete o pau na repetição do Weezer. Contraditório?

Esse é um ponto. O outro é que, se repetindo ou não, a banda nunca fez um álbum tão bom quanto o seu début, o famoso álbum da capa azul. E aí a questão não é inovação, mas meramente inspiração para boas melodias e letras que ao menos fujam do banal. Dá para traçar sem grandes dificuldades uma trajetória descendente, que se inicia no “Blue Album”, continua pelo “Pinkerton” (segundão, adorado pelos fãs, e de fato muito bom), já decai no “Green Álbum” (bem abaixo, mas ainda muito bom) e depois rola sem freio ladeira abaixo. E o ponto triste é que esse novo “Red Álbum” (por Deus, eles querem fechar o arco-iris?) é mais do mesmo.

As expectativas, ou ao menos as minhas, existiam: “Pork and Beans”, o primeiro single (e rezam as más línguas, composto por pressão da gravadora), é uma genuína canção weezeriana, com todos os power-chords que isso significa, e uma letra esperta que tira sarro do Timbaland. 

A faixa de abertura, “Troublemaker” alimenta esperanças com elementos semelhantes (that’s what they do, man), quase iguais, mas uma batida levemente acelerada e um refrão ainda melhor, carregado de backing vocals.

Daí em diante, no entanto, o álbum é uma ode à irregularidade: equívocos que beiram o constrangedor (“Everybody Get Dangerous”) se misturam a algumas boas idéias mal executadas (a parte final de “Heart Songs” lembra por demais “The World Has Turned and Left me Here”, só que sem o mesmo punch). Se nos melhores momentos o Weezer tem o dom do pop dourado, quando erra a banda consegue soar como trilha sonora das piores comédias adolescentes americanas. E eles vêm fazendo isso com uma freqüência irritante.

No meio da confusão, sobra perdida uma ótima “Dreamin´”, que até chega a animar; mas então vem a sequência, com “Thought i Knew”, um girlie pop com beat eletrônico esquisito, outro daqueles momentos embaraçosos sobre os quais eu falei ali em cima. E aí você vê que o disco é irregular mesmo, sem remédio.

Noves fora, fica o consolo de que o Weezer ainda é uma banda de bons, ótimos singles, e isso já é alguma coisa, nesses tempos cabreiros. Mas para o que é, eu ainda acho que é pouco.

Nação Zumbi, Muse, The Go! Team...

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Sobre o show da Nação Zumbi, na última sexta, no Circo Voador, dois pontos:

1 – É inconcebível a confusão que aconteceu na entrada. Nunca vi algo daquela maneira, nem em shows muito maiores. Nação no Rio já lota tem muito tempo, e não dá pra dizer que não imaginavam que ia ficar daquela maneira. Muita gente só conseguiu entrar com a apresentação já iniciada, e algo mais sério poderia ter acontecido. Que da próxima vez mudem o local do show para a Fundição Progresso, cuja estrutura é até pior que a do Circo Voador, mas que ao menos comporta tamanha quantidade de gente.  

2 – A Nação Zumbi é uma banda admirável: conseguiu se reinventar, tanto no conceito quanto musicalmente (hoje é uma banda de rock, muito mais “tradicional” do que nos tempos do Chico), depois de perder seu líder de uma maneira brutal. E veja bem, não estamos falando de um líder qualquer. Ao vivo, tudo fica mais evidente: a guitarra do Lúcio Maia ganha volume, o paredão percussivo (limado no último disco, “Fome de Tudo”) vem pra frente, e até o Du Peixe, o ponto mais fraco da banda (vocal monocórdio e presença de palco nula) ganha sentido no meio da pressão toda. Em 15 anos, nunca deixaram de ser relevantes. Não consigo pensar em nada semelhante. Para mim, é a melhor banda do Brasil, fácil.

Muse no Rio

Já vinham comentando há uma pá de tempo, mas agora parece que confirmou: o Muse toca no Brasil nesse próximo mês de julho, pela primeira vez. No Rio, o show rola no dia 30, no Vivo Rio (Putz...).

Nunca caí de amores pela banda, mas concordo com o Finatti quando ele diz que esse Black Holes and Revelations é um puta disco legal. E todo mundo que já viu ao vivo diz que é monstro.

The Go! Team em SP

Uma das coisas mais legais dos últimos tempos foi a confirmação dessa vinda do The Go! Team pro Motomix, em Sampa. Confirmaram meio em cima da hora, no lugar que originalmente seria do Chromeo. A julgar pelo que eu vi do Chromeo na Califórnia (fraco, fraco), a troca foi pra lá de vantajosa.

Considerando fortemente baixar em SP no fim do mês pra conferir.

E segue na fila...

Estou com uma monte de coisa na fila pra comentar, só o que falta mesmo é tempo. Não fiz o post falando sobre a cobertura do Coachella, não comentei o show do Portishead, o novo da Santogold...enfim, não tá fácil não, mas vamos tentando botar em dia.

Pra começar, um postzinho sobre o novo do Weezer.

Quero uma festa (cigano) punk

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(fotos: La Cumbuca. Visitem o site, é bem bacana)

Quando o conheci na California, Eugene Hutz, o cigano louco à frente do Gogol Bordello, havia revelado sua paixão pelo Brasil, e garantido que viria ao país dentro de um mês para passar um tempo e fazer uma festa na Lapa. Bem, o fato é que ele cumpriu a promessa na semana passada.

A festa de nome estranho (“Ciganomania”) foi realizada em parceria com a galera da Go East, que já vem cantando essa bola do balcan beats aqui no Rio há uma pá de tempo. E vou falar que foi bacana. A bem da verdade, MUITO bacana.

Pra começar, Eugene nas picapes é louco. Quase tão louco quanto quando está em cima do palco à frente do Gogol Bordello. Tudo que o cara tem de afável no convívio social, transforma em dinamite quando está on stage.

Apesar da noite chuvosa, o Cine Lapa não poderia estar mais cheio: por volta das duas da manhã, era difícil se mover pelo local. Some-se isso à empolgação (desmedida, é bom frisar) por se ter um private show de um semi popstar no quintal de casa, e a noite estava completa.

 

A coisa funciona mais ou menos assim: Hutz domina as picapes, sem intervalos, à noite toda. Até aí, o que rola é uma discotecagem até certo ponto tradicional, se por “tradicional” se entende um DJ que toca de música cigana a Mano Negra; de house a hard rock; de forró a Ultraje a Rigor (!!!). De tempos em tempos, no entanto, o figura liga o microfone, pega o violão, e detona (de maneira largada) algumas músicas. E aí, invariavelmente, termina por levar algo de sua banda, para o delírio dos fãs (o escriba incluído). Rolou “Wonderlust King”, “Start Wearing Purple” (essa em uma surreal versão, mixada com “Morena Tropicana”), “Not a Crime”, entre muitas e muitas outras. Tudo ali, ao alcance das mãos.

Pra tornar a coisa toda ainda mais bizarra, a namorada de Hutz, Mititika, fazia performances esquisitas em cima de um palco improvisado (na verdade, dois bancos colocados lado a lado; até onde eu vi, nenhum acidente havia acontecido, mas isso não parecia assim tão distante).

Em um certo momento, a noite já avançada, Eugene largou a picape e se atracou com uma groupie rebolante. A namorada fez a liberal, nem aí, mas começou a pegar pesado na dancinha. A coisa deu pinta de que ia ficar naughty. Não fiquei pra ver como terminou.

Redundante dizer que não chegou aos pés da porrada que é o Gogol ao vivo. Vi os caras no Coachella, e digo que a experiência é fenomenal. Mas ainda assim, foi uma festa como poucas nos últimos tempos. Eugene garantiu que a banda toda vem pro Tim Festival esse ano. Aí o bicho vai pegar de verdade.

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