Dynamite

Entries for month: June 2008

Eles não são de Barcelona*

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Então, essa entrevista com o I'm From Barcelona rolou meio no susto. Curto bastante a banda mas, não me perguntem bem o porquê, a possibilidade de falar com os caras não havia me passado pela cabeça. Enfim, foi ver o show FANTÁSTICO que eles fizeram no Coachella e sair correndo pra catar a assessora e agendar alguma coisa realmente em cima da hora. No final, rolou embarcar depois de uns jornalistas mexicanos, e consegui entrevistar o vocalista, Emanuel, ali mesmo no gramado da tenda de imprensa. Foi bacana. Segue a matéria.

 

Eles não são de Barcelona

*Matéria originalmente publicada no jornal "O Globo", em  13 de junho 

 

Curiosos, estes novos tempos globalizados. Outrora, quando alguém seria capaz de pensar que da Suécia poderia vir uma das coisas mais legais da Espanha nos últimos tempos? Parece estranho, e de certa forma o é; mas é o caso do I’m from Barcelona, banda da gelada cidade sueca de Jönköping, que reivindica o nome da terra de nosso compatriota Ronaldinho Gaúcho para dar ao mundo uma das mais felizes surpresas do rock alternativo dos dias atuais.

Formado em 2005 pelo vocalista e guitarrista Emanuel Lundgren, o I’m From Barcelona surgiu como um raio no cenário indie e, com pouco mais de dois anos de existência, já começa a conquistar corações e mentes ao redor do globo, levantando como bandeira a quase infalível fórmula do pop sueco, que já deu ao mundo nomes como Cardigans, Wannadies e, mais recentemente, Peter, Bjorn and John: letras prosaicas, guitarras limpas e um senso melódico impar, com canções-chiclete forjadas para perdurar na cabeça.

“Minha maior influência foi uma paixão. Estava perdidamente apaixonado, e comecei a fazer músicas que não se encaixavam em nenhum dos grupos em que já havia estado. Comecei então a chamar alguns colegas para gravá-las comigo, e estes amigos foram chamando mais amigos”, revelou Lundgren, em entrevista ao Rio Fanzine.

Ao que parece, o rapaz é mesmo popular: ao todo, não menos que 29 pessoas gravaram o primeiro EP da banda, “Don´t Give up on Your Dreams, Buddy”, logo sucedido pelo álbum “Let Me Introduce My Friends” , lançado no verão de 2006. O detalhe (ainda mais) curioso: a maior parte delas permanece unida até hoje, excursionando pelo mundo com esta que talvez seja a maior big band do pop atual.

Mas com um nome desses, fica no ar a pergunta: algum integrante da banda realmente vem de Barcelona?

“Eu certamente não, como você pode ver”, brinca o vocalista, um sueco de feições nada mediterrâneas. “Pensando bem, é irônico uma banda com tanta gente não ter nem ao menos uma pessoa realmente de Barcelona”.

Objeto de curiosidade, o nome do grupo deriva de um personagem de uma antiga série de TV chamada “Faulty Towers” , um atrapalhado mordomo cujo nome era Manuel.

“O personagem se chamava Manuel, um nome muito parecido com o meu, e tinha um bordão que era ‘Eu sou de Barcelona (“I’m from Barcelona”)’. Um dia nos lembramos disso após algumas cervejas, e quando vimos, já tínhamos um nome para a banda”, diz Emanuel, em uma explicação improvável como o é o som do conjunto, um verdadeiro coral indie pop que por vezes lembra os americanos do The Polyphonic Spree.

Mas a verdade é que, tão logo se vê a banda em ação em uma de suas catárticas apresentações ao vivo, fica fácil entender o porquê do improvável espaço que vem ganhando dentro e fora do mundo alternativo (sua música “This Boy” vem tocando até mesmo em comerciais da fabricante automotiva Chrysler!). Como em um daqueles times de futebol tão comuns à cidade que lhe dá nome, o I’m From Barcelona joga para a platéia, e tem sua principal força no jogo de conjunto.

Em sua recente e explosiva apresentação na última edição do festival californiano Coachella, o grupo entrou em campo com o jogo ganho: além de decorar o palco com bolas coloridas, inundou a platéia com enormes balões vermelhos, provocando um verdadeiro frenesi antes mesmo do início do show.

O que se seguiu não foi menos que uma festa, na qual a harmonia de canções fáceis como “We’re From Barcelona” e “Collection of Stamps” emergia em meio a um verdadeiro caos em cena, e que terminou com toda a banda em plena pista, unida ao público em um inacreditável trenzinho que percorreu todo o local.

“Na verdade, nós não ensaiamos tanto quanto se imagina para uma banda com esse número de integrantes, há muito improviso em nossa performance. Mas nós realmente temos tocado muito, e dessa forma as coisas terminam se acertando”, diz.

E por falar nisso, como será a vida em uma banda cujo tamanho equivale a dez vezes o de grupos como, digamos, o Green Day?

“Na verdade, a banda foi formada para gravar o disco, não sabia que a coisa iria para frente. Se soubesse que terminaríamos excursionando tanto, certamente não teria chamado tanta gente”, brinca o vocalista. “Mas a verdade é que temos conseguido viajar e nos apresentar em muitos paises, apesar de termos tantos integrantes. Para mim, é muito bom poder continuar trabalhando com os meus amigos”, acrescenta Emanuel, responsável pela maior parte das composições do grupo.

E as coisas estão dando tão certo que não devem parar por aí: após excursionar por quase dois anos com as músicas de “Let Me Introduce My Friends”, o grupo deve lançar seu novo trabalho ainda em 2008.

“Devemos estar com o novo disco pronto no outono (primavera no Brasil). Antes, fizemos um disco de verão; agora tentaremos fazer um trabalho que dure as quatro estações”, diz.

E o que esses suecos da Catalunha pensam de tocar no Brasil? Planos para um futuro próximo? Segundo Emanuel, vontade é o que não falta.

“Na verdade, temos muita vontade de tocar aí, pois recebemos muitas mensagens de fãs do Brasil, mas até agora não há nada em vista. Mas nós só estamos esperando o convite”, revela. A festa por aqui certamente seria linda.

Enfim, Chinese Democracy

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Parece piada, eu estou ligado. Mas o fato é que um site americano vazou o novo do Guns N’ Roses. Ok, talvez “novo” soe mesmo engraçado. Mas o fato é que o site disponibilizou (e logo tirou do ar) nove faixas do disco novo, “Chinese Democracy”. E ao que parece, agora é de verdade.

 

Sem exagero, dá pra dizer que é um dos maiores mitos da nossa culturinha pop. Muita gente acreditou que nunca fosse rolar. Os números todos que envolvem o lançamento são superlativos: QUINZE anos de gravação, quase VINTE músicos envolvidos e inacreditáveis TREZE MILHÕES DE DÓLARES gastos.

 

Algumas faixas, como “Madagascar” e “Better”, já tinham vazado em versões demo ou sido tocadas ao vivo, mas agora aparecem em versões masterizadas. Outras três ("Rhiad and the bedouins", "If the World" e uma outra ainda sem nome) são novas novas.

 

Quanto ao disco em si: basicamente, se trata do Guns N’ Roses (na verdade Axl Rose, o único que sobrou da banda original) tentando soar moderno com (pelo menos) dez anos de atraso. Acho que funcionaria melhor se tivesse sido lançado no espaço de tempo ao qual certamente pertence: a década de 90.

 

O ponto é: pro nível de expectativa que se criou em cima da coisa, é praticamente impossível que se corresponda. Estou falando de quinze anos, QUINZE anos, uma geração inteira. Quando Axl começou a gravar esse disco, não tinha 11 de setembro, mp3, ninguém sabia o que era internet e celular era coisa de rico. É claro, pois, é compreensível, que soe anacrônico. Faixas como “Better” são o que o Filter, o Fear Factory, ou sei lá, algumas dessas derivações de Nine Inch Nails faziam no fim do século passado. E já passou.

 

Em uma primeira audição, a que me soou melhor foi “There Was a Time”, de arranjo grandioso, com cordas, solos e ba, toda aquela cartilha que os fãs curtem. É também o momento em que você sente falta da guitarra bluesy do Slash.

 

A voz de Axl continua a mesma, bem rasgada, e ainda dá um bom caldo, especialmente nas faixas mais pesadas, como “Rhiad and the Bedouins”. “Madagascar” já tinha sido tocada por aqui no show do Rock and Rio, e abusa dos barulhinhos de teclados no verso, ainda que tenha um bom refrão. “IRS” tem um começo que é um equívoco, com violão e beat eletrônico, e segue meio perdida, alternando climas em demasia, sem chegar a nada perto de algo homogêneo.

 

Mais tarde vou ver se coloco um link pro arquivo com as faixas aqui. Ou dá pra achar no Torrent mais próximo.

All the girls standing in the line...

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Pharrell Williams é um sujeito hiperativo. Em um período de, vá lá, três meses, o cara produziu mais da metade do novo disco da Madonna; cantou com o Casablancas e a Santogold no single comemorativo dos 100 anos da Converse e agora aparece com esse novo álbum de seu projeto “rock and roll", o N.E.R.D, “Seeing Sounds”.  

Particularmente, nunca morri de amores pelo N.E.R.D (sempre preferi seu alter ego hip hop, o Neptunes). Mas o lance é que o primeiro single do disco novo, “Everyone Nose (all the girls standing in the line for the bathroom)”, tá causando uma polêmica. A música em si é bem razoável, embora um pouquinho repetitiva; o beat é empolgante (Pharrell é bom nisso), mas nada muito diferente do que ele já tenha feito antes. O lance é a letra que, como o título entrega, versa de maneira nada discreta sobre aditivos químicos consumidos nos banheiros dos clubes (alguém sabe do que ele está falando?). 

O polêmico clipe tem imagens de garotas que vivem, ahm, na fila do banheiro, como Lindsay Lohan e sua namorada, Samantha Ronson, além de outras figurinhas do xoubiz gringo, como o rapper Kanye West (que fez um remix bombadasso pra track), e carrega a mão nas referências apologéticas. Saquem só:

Entrevista com Cut Copy

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No post aqui de baixo eu falei de leve sobre a nova cena australiana, mais especificamente sobre o Cut Copy.

 

 

Então, rolou uma interview com eles, pro Rraurl. Dá pra sacar aqui, ó. 

 

Quem é quem no Skol Beats (parte 1)

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E saiu a escalação do Skol Beats 2008, escolhida por votação do público (segundo a “Folha”, os resultados foram confirmados por uma empresa de auditoria). Segura aí:

Justice
Digitalism
Pendulum
Agoria
Armin Van Buuren
Dubfire
Sebastian Ingrosso e Steve Angello

(Ficaram de fora 2ManyDjs, Dilinja, Fergie, Makoto, Markos Schulz e Menno de Jong)

 

Passada a euforia de ver um line up com Justice e Digitalism lado a lado, acho que poderia ser melhor. O que me parece é que a seleção de bandas se preocupou demais como nomes consagrados, como Armine Van Bureen (que já veio ao Brasil este ano) e o próprio 2ManyDjs (que terminou cortado por problemas de agenda, dando lugar ao Agoria), que toca por aqui mês sim, outro não, e terminou deixando de fora expoentes de algumas das cenas mais legais do momento, como a australiana (Cut Copy, Presets) e a francesa (exceção feita ao Justice).

Ainda assim, é pedida certa pra quem curte eletrônica. E tem a votação nacional, com mais alguns nomes bem bacanas, que está rolando no http://www.skolbeats.com.br/. Ao que parece, o local também vai ser decidido via voto do público. Nunca tinha visto uma coisa dessas. Acho válido.

E agora vamos à música, que na real, na real, é tudo o que interessa. Dividi a escalação em duas partes, para o post não ficar gigante. Na semana que vem eu posto as outras. E chega de caô.

 

Justice

 

 

 

Estrela guia da nova cena francesa de eletro e do festival. Seu single arrasa quarteirão “D.A.N.C.E” foi uma das músicas mais tocadas (e remixadas) de 2007, e é de fato uma pérola, com vocais em coro e refrão com falsete, com todas as referências do mundo a Jackson Five. Não é, no entanto, uma one hit band: o primeiro (e único) álbum completo, “Cross”, desce redondinho do começo ao fim. Muitos baixos saturados, muitos sintetizadores sujos, muita quebra de ritmo. Tudo o que define a nova cartilha do eletro pós-Daft Punk está aqui, em sua melhor forma.

Vi o live recentemente, e é inacreditável de bom. O que no álbum é sujeira se torna uma real porrada ao vivo. Show de eletro pra sair com ouvindo zumbindo. Tocam remixes dos outros e de si mesmos (a hora em que rola “We are your friends”, feita em parceria com o Simian, é de arrepiar), tudo altamente carregado de referências mezzo irônicas ao Heavy Metal (na Califórnia, ornaram o palco com dois paredões de amplificadores Marshall e uma gigantesca cruz luminosa). Desde já, um dos shows mais aguardados do ano.

Para ouvir: www.myspace.com/etjusticepourtous 

 

Digitalism 

 

 

 

Junto com o Justice e o Simian Mobile Disco (que veio no Skol do ano passado) foi responsável pela nova bombada do eletro no ano passado. A verdade é que, dos três, o Digitalism foi o que lançou o disco mais fraquinho. O que não quer dizer que seja ruim: pelo contrário, “Idealism” é pra lá de bacana, e radicaliza ainda mais na proposta diversificante do Justice, indo do indie ao eletropop, passando pela eletrônica pura e simples. E tem “Pogo”, uma das melhores músicas do ano passado, tudo o que o New Order faria se tivesse surgido em 2007.

Fazem ainda alguns dos remixes mais legais da atualidade, que podem ir de Cure a Depeche Mode ou até White Stripes.

Estavam marcados para tocar no Brasil no ano passado, mas terminaram cancelando em cima da hora, alegando os famigerados “motivos pessoais”. Feio, muito feio.  Agora é ver se vai xoxar ao vivo, ou se fez valer a espera.

Para ouvir: www.myspace.com/digitalism 

 

Pendulum

 

Apareceram, em 2005, como um grupo de drum and bass para as massas, em uma época em que as massas pareciam ter esquecido o que era drum and bass. Lembraram logo: o álbum, “Hold Yor Colour”, logo se tornou uma das maiores vendagens da história do estilo, e a bem da verdade, tem algumas coisas bem legais. Têm ao menos uma música bem conhecida fora das quatro linhas do DB, “Vault”.

Ainda não escutei o disco novo, “In Silico”, na íntegra, mas as coisas que cheguei a ouvir iam por um caminho bem mais convencional, pop até, o que não é necessariamente ruim.

Dá pra dizer que o Pendulum é um dos maiores nomes do drum and bass da atualidade, e sua vinda ao Brasil já é aguardada há algum tempo. E, assim como o próprio estilo, cresce muito quando ouvido na pista. Promessa de showzão.

Para ouvir: www.myspace.com/officialpendulum

 

Dubfire

 

 

 

Mais conhecido por seu trabalho no duo de prog house Deep Dish (ao lado do persa Sharam), Dubfire vem ao Brasil em sua carreira solo, mais underground que o projeto principal, e na qual flerta com alguns estilos em voga atualmente, notadamente o minimal.

Nunca fui grande fã do Deep Dish (um dos projetos de eletrônica mais bem $$$ucedidos dos últimos tempos), e a possibilidade de ver Dubfire solo também não me anima, apesar de o cara vir trabalhando com alguns nomes de respeito, do naipe de UNKLE e Booka Shade. Enfim, tem quem goste.

Para ouvir: www.myspace.com/djdubfire

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