Uma coisa que eu acho engraçada é como esse lance do hype é mesmo um mercado. Ok, jogada assim a afirmação pode parecer idiota; mas por aqui as coisas rolam de uma forma tão mambembe que me soa abstrato ouvir as pessoas falando que fulano faz hype, ou ciclano é o novo hype. Agora é a tal da Mallu Magalhães (cujo som eu fui o único que ainda não ouvi. Vou lá no Myspace agora resolver isso), que sai aqui, sai ali. Só dá entrevistas a menina. Vamos ver se vai a algum lugar, ou se vai ser outro CSS, que deu pinta, deu pinta, mas só foi acontecer quando foi lá pra fora. Porque na gringa o esquema é outro, rola toda uma estrutura, certinha.
É batata: dá novembro, dezembro, os semanários (NME, Melody Maker) começam a apontar o que é “hot” para o próximo ano. Ato quase contínuo, essas mesmas bandas já começam a ser sondadas/confirmadas para os festivais de primavera/verão (Sonar, Coachella, Reading etc). Nesse hiato de 4, 5 meses (os festivais lá de cima começam em final de abril, início de maio), esses mesmos grupos começam a pipocar no Jools Holand, David Letterman, Saturday Night Live e outros programetes do gênero. Quando dá a época dos tais festivais, surpresa, não se fala em outra coisa. É a profecia que se auto-realiza. Se a coisa for tão forte a ponto de chegar aqui nos índios, periga até vir pro Tim Festival daqui a um ou dois anos.
Mas todo esse caozinho é pra dizer que essa temporada já tem lá seus hypes muito bem definidos. Do lado eletrônico/moderninho/gay (quem está dizendo que é tudo a mesma coisa, né?), você tem isso que a “Spin” está chamando de Neo-Disco. O termo, a gente sabe, é ridículo, mas o som presta: uma releitura da antiga disco music, com bpms médios, sintetizadores e baixos saturados em prefusão, só que incorporando o 4x4 da House e algumas outras modernices. Nada que o Daft Punk ou o Groove Armada (só pra ficar nos famosinhos) já não fizessem há uma pá de tempo. Mas o rótulo agora é novo, e no final das contas, a gente sabe que isso faz toda a diferença.
O resultado em alguns casos é razoável
the juan maclean - give me every little thing
Mas em outros é delicioso, como nesta “Blind”, do Hercules & Love Affair, o hitzinho desta nova temporada (e eu não acredito que você ainda não saiba disso).
Hercules & Love Affair - Blind
Pra quem quiser saber mais sobre o H&LA, os camaradas do Rraurl fizeram uma matéria bacana sobre eles.
Do lado nerd/blogueiro/cabeçudo você tem a volta do pop-percussivo-batuqueiro-world-music, que andou na moda pelos idos dos anos 80/90, e agora retorna sob o pavoroso rótulo de “afropop”. Ok, taí um nome de dar arrepios. Sempre que eu vejo essa coisa meio batucada, meio "vamos olhar para a África", a primeira coisa que me vem à cabeça é o Carlinhos Brown. Ou o Paul Simon tocando com o Olodum. Enfim, deu pra entender. E não é bonito. Mas sem esforço, dá pra sacar que tem coisa boa no meio desse samba pra gringo. Tipo esse Vampire Weekend, que vem de Nova York, lançou o primeiro disco agorinha, e é figurinha fácil em 10 entre 10 blogs metidos a insider (Headphone incluído).
Vampire Weekend - A-Punk
Entrevistei eles outro dia pra versão de papel da coluna do Tom (chamar pelo primeiro nome é o que há), soou menos pretensioso do que eu pensava. Aliás, taí uma coisa que essas bandas de nerd sabem fazer: dar entrevista. Parece pouco, mas não é todo mundo que faz, né Beto Bruno?

RSS
18-6-2008
17-6-2008
9-6-2008
9-6-2008
3-6-2008