Dynamite

Entries for month: March 2008

Hypes, hypes e mais hypes

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Uma coisa que eu acho engraçada é como esse lance do hype é mesmo um mercado. Ok, jogada assim a afirmação pode parecer idiota; mas por aqui as coisas rolam de uma forma tão mambembe que me soa abstrato ouvir as pessoas falando que fulano faz hype, ou ciclano é o novo hype. Agora é a tal da Mallu Magalhães (cujo som eu fui o único que ainda não ouvi. Vou lá no Myspace agora resolver isso), que sai aqui, sai ali. Só dá entrevistas a menina. Vamos ver se vai a algum lugar, ou se vai ser outro CSS, que deu pinta, deu pinta, mas só foi acontecer quando foi lá pra fora. Porque na gringa o esquema é outro, rola toda uma estrutura, certinha.

É batata: dá novembro, dezembro, os semanários (NME, Melody Maker) começam a apontar o que é “hot” para o próximo ano. Ato quase contínuo, essas mesmas bandas já começam a ser sondadas/confirmadas para os festivais de primavera/verão (Sonar, Coachella, Reading etc). Nesse hiato de 4, 5 meses (os festivais lá de cima começam em final de abril, início de maio), esses mesmos grupos começam a pipocar no Jools Holand, David Letterman, Saturday Night Live e outros programetes do gênero. Quando dá a época dos tais festivais, surpresa, não se fala em outra coisa. É a profecia que se auto-realiza. Se a coisa for tão forte a ponto de chegar aqui nos índios, periga até vir pro Tim Festival daqui a um ou dois anos.

Mas todo esse caozinho é pra dizer que essa temporada já tem lá seus hypes muito bem definidos. Do lado eletrônico/moderninho/gay (quem está dizendo que é tudo a mesma coisa, né?), você tem isso que a “Spin” está chamando de Neo-Disco. O termo, a gente sabe, é ridículo, mas o som presta: uma releitura da antiga disco music, com bpms médios, sintetizadores e baixos saturados em prefusão, só que incorporando o 4x4 da House e algumas outras modernices. Nada que o Daft Punk ou o Groove Armada (só pra ficar nos famosinhos) já não fizessem há uma pá de tempo. Mas o rótulo agora é novo, e no final das contas, a gente sabe que isso faz toda a diferença.

O resultado em alguns casos é razoável

the juan maclean - give me every little thing

   

Mas em outros é delicioso, como nesta “Blind”, do Hercules & Love Affair, o hitzinho desta nova temporada (e eu não acredito que você ainda não saiba disso).

Hercules & Love Affair - Blind

  

Pra quem quiser saber mais sobre o H&LA, os camaradas do Rraurl fizeram uma matéria bacana sobre eles.

Do lado nerd/blogueiro/cabeçudo você tem a volta do pop-percussivo-batuqueiro-world-music, que andou na moda pelos idos dos anos 80/90, e agora retorna sob o pavoroso rótulo de “afropop”. Ok, taí um nome de dar arrepios. Sempre que eu vejo essa coisa meio batucada, meio "vamos olhar para a África", a primeira coisa que me vem à cabeça é o Carlinhos Brown. Ou o Paul Simon tocando com o Olodum. Enfim, deu pra entender. E não é bonito. Mas sem esforço, dá pra sacar que tem coisa boa no meio desse samba pra gringo. Tipo esse Vampire Weekend, que vem de Nova York, lançou o primeiro disco agorinha, e é figurinha fácil em 10 entre 10 blogs metidos a insider (Headphone incluído).

Vampire Weekend - A-Punk

Entrevistei eles outro dia pra versão de papel da coluna do Tom (chamar pelo primeiro nome é o que há), soou menos pretensioso do que eu pensava. Aliás, taí uma coisa que essas bandas de nerd sabem fazer: dar entrevista. Parece pouco, mas não é todo mundo que faz, né Beto Bruno?

Bad Brains no Brasil

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Notícia boa: o Bad Brains, fundamental banda americana de HC (e quem não conhece que vá a-g-o-r-a pro Torrent), está confirmado pra vir ao Brasil em abril. De acordo com o site do grupo, as datas são essas aqui:

 9/4 - São Paulo - Eazy

11/4 - Recife - Abril Pro Rock

12/4 - Rio de Janeiro - Circo Voador

O site do Circo já confirma a data do dia 12, então acho que é à vera mesmo. Não sei vocês, mas por aqui sempre rola um alívio quando confirmam shows under no Rio. Alívio no bolso. Ir pra SP é caaaro...

Interpol na Fundição

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E já que eu falei meio mal deles no post anterior, por que não terminar de esculhambar de uma vez?

O lance do Interpol não é ser ruim; pelo contrário, é uma banda até bem passável, tem dois discos legais (o terceiro é xoxo), os singles como um todo rendem bem na pista, etc... Mas é uma coisa tão wannabe, tão cheio de pretensão, que não tem como sair de um show como o da semana passada, na Fundição, e não se perguntar: "é só isso?"

Obs: o texto abaixo foi feito pra sessão de shows do portal aqui. Não pensem que eu vou me dar ao trabalho de fazer uma edição diferente pro blog.

Fundição Progresso, Lapa (RJ), 13/03 

Expoente do chamado “novo rock”, o Interpol chegou ao Rio de Janeiro na última quinta-feira, 13 de março, para a segunda parada de sua primeira turnê brasileira, em um show cercado de expectativas, e trazendo na bagagem seu novo álbum (o mediano “Our Love to Admire”).

Dentre os nomes que marcaram o “ressurgimento” (com todas as aspas do mundo) do rock alternativo neste novo século, a banda era uma das poucas que ainda não haviam vindo ao país. Com dez anos de carreira, o conjunto americano conseguiu se manter relativamente popular por estas bandas, graças em grande parte às viúvas do pós-punk, que não se cansam de alardear suas semelhanças com o Joy Division (de fato, o timbre do vocalista/guitarrista Paul Banks lembra, e muito, o do falecido Ian Curtis).

Talvez por causa disso, o público compareceu em número surpreendentemente bom à Fundição Progresso (levando em conta o temporal que caía na cidade, e tornava o Rio de Janeiro uma filial do inferno), chegando a encher a pista da casa.

Pouco após as 23h (essa coisa de pontualidade felizmente está começando a se tornar constante em shows na cidade), o quarteto nova-iorquino pisou no palco, acompanhado por um músico de apoio que comandava os teclados. Mantendo a tradição do grupo, o guitarrista Daniel Kessler e o baixista Carlos Dengler trajavam impecáveis ternos pretos (que tirariam ao longo da apresentação, pois o calor do Rio não é mole, nem em dia de chuva), ao tempo que o vocalista Paul Banks e o baterista Greg Drudy adotavam visual um pouco mais despojado.

O palco também condizia com o visual sóbrio da banda, sem grandes novidades ou adereços, apenas telões. A iluminação, no entanto, era caprichada, com um set de luzes que incluía spots laterais amplamente utilizados, e que deram ao cenário um visual classudo.

Começaram com a climática “Pioneers to the Falls”, do novo álbum, como ocorrido na maior parte dos shows da atual turnê. Mesmo não sendo lá da mais catárticas, a música provocou uma reação intensa do público, que por vezes chegava a abafar a voz de Banks (o crônico problema de som da Fundição, que escondia os graves, também ajudava). Na seqüência, “Obstacle 1” seria o primeiro hit da noite a soar no P.A da casa, com o refrão marcado sendo cantado a plenos pulmões. Seguiu-se uma interessante seqüência, com “C’mere” e a dançante “Narc” (com uma guitarra mais que influenciada por Blondie), duas das melhores da curta discografia do grupo. Mas apesar da performance correta, a banda não ia além do regulamentar, isto é, versões idênticas às de estúdio, sem nada que levasse ao menos a crer que se estivesse vendo um show ao vivo, e não um DVD. Ok, a frieza faz parte do contexto do grupo, mas tudo tem limites. Fechasse os olhos, e você poderia pensar que escutava o CD, tamanha era a assepsia das versões apresentadas. Resultado óbvio, a empolgação do público, que era palpável ao começo do show, baixou vertiginosamente. Mesmo a boa e pesada “Say Hello to the Angels” foi recebida com uma certa frieza.

Em seguida, a banda emendou “Leif Eriksson” (do primeiro álbum “Turn on the Bright Lights”), que não havia sido incluída no set do show de São Paulo. Mas as coisas só voltariam mesmo para os eixos aos primeiros acordes de “Slow Hands”, presença obrigatória em qualquer noite alternativa da cidade nos últimos (muitos) anos, e que transformou a Fundição em uma verdadeira pista de dança. Incompreensível, porém, foi o que se seguiu na seqüência, com as sonolentas “Rest My Chemistry” e “Lightouse”, que jogaram um verdadeiro balde de água fria no público e trouxeram o marasmo de volta. E por falar em água, a Fundição Progresso se mostrou (mais uma vez) despreparada para receber eventos importantes. Além dos já tradicionais problemas de acústica, que tiram a pressão de qualquer som (nem o Motorhead conseguiu domar!!!), a casa apresentou na noite de quinta-feira GOTEIRAS. Isso mesmo: em um determinado momento da noite, caía água no público e por vezes na própria banda, a princípio apenas em alguns pontos isolados, mas com o passar do tempo ao longo de toda a pista. À certa altura uma pessoa abriu um guarda-chuva no meio da pista, como que para coroar o cenário surreal que se formava.

Ainda que morno em sua maior parte, o show caminhava para um bom encerramento, com as eficientes “Evil” e “Heinrich Maneuver” trazendo o público de volta para junto da banda. Mas a noite não era mesmo para ser do Interpol, e ao fim de “Not Even Jail”, programada para fechar a primeira parte do set, um problema técnico na guitarra de Paul Banks forçou a interrupção do show por longos 20 minutos. E o que já não estava lá muito quente se tornou definitivamente gelado.

Consertados os equipamentos, coube à banda demonstrar o profissionalismo que faltou à produção, voltando para completar o que originalmente seria o bis, com “NYC”, “Stella Was a Diver...” e “PDA”.

Como que para compensar o público pelos problemas, o grupo voltou ainda para um segundo bis, não programado, com “Untitled”. Ainda que simpática, a atitude não foi suficiente para alterar o panorama, e ao fim, ficou a impressão de que o Interpol entrou em campo com o jogo ganho, mas saiu apenas com um empate. Uma pena, para quem esperou tanto tempo pra ver a banda.

 

Para as viúvas

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Não me dei ao trabalho de pesquisar de onde esses caras vêm (se pá eles são famosos e eu que estou de bobeira), mas esse vídeo não é menos que genial.

 

 

A parte em que eles emendam "Lithium" vale a vida.

Portishead em português???

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Bizarro, mas está lá.

"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá, retornará para você. Esta lição, você terá que aprender. Você só ganha o que você merece". Assim mesmo, em português, é o sampler que abre o disco novo do Portishead, o (mais que) aguardado "Third".

Acho que das bandas que não voltavam nunca (tipo Blur, My Bloody Valentine), o Portishead era a que eu mais queria que voltasse. Com certeza é uma das minhas bandas de cabeceira. E só “a nível de” (haha) informação, o último trabalho de estúdio, “Portishead” (nome de disco não é mesmo o forte deles) foi lançado em 1997. Mais de dez anos!!! Depois teve um ao vivo (o sublime "Live at Roseland NYC"), e c’est finit.

A verdade é que o Portishead é uma daquelas poucas bandas que não tem comparação; não digo nem por gostar ou não gostar, mas porque simplesmente não tem outra que faça igual. Mesmo na época que o trip-hop bombava (e lá se vai uma década), não tinha nem quem chegasse perto. Hoje em dia, quem você tem assim? Tipo, põe uma faixa do Editors, ou do Rakes no meio do disco Interpol, por exemplo, e eu quero ver alguém notar a diferença.

Mas voltando ao disco novo, é no mínimo estranho, o que no caso do Portishead é condição sine qua non. Soa um pouco como o Radiohead, se o Radiohead fosse melhor que o Radiohead. Entenderam? Aquela coisa meio torta, angustiada, meio trilha sonora da vida, que no final das contas você para e vê que é bonito pra cacete. Quem esperava por algo eletronicuzão pode segurar a onda: o disco é bem mais orgânico que os dois anteriores, tem até umas baladinhas folk eletrônicas ao estilo Goldfrapp. E tem também essa “We Carry On” aqui debaixo, que é uma coisa assim meio sonic youth que eu não consigo tirar do ipod.

 

 Ainda estou tentando processar a coisa toda, mas algo me diz que dentro em breve eu vou estar babando nele.
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