Dynamite

E o Justice no Circo bombou....

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Chegasse um desavisado no Circo Voador na madrugada da última sexta-feira, e perigava pensar ter entrado em um show de heavy metal. Em um palco ornado com uma gigantesca cruz luminosa e duas paredes de amplificadores Marshall, o P.A despejava toneladas de decibéis de trash metal à velocidade da luz, para uma platéia tomada por mosh pits e stage-dives. Metallica? Que nada. Era o encerramento do show do Justice, duo francês de eletro que demoliu a casa de shows da Lapa em uma das melhores performances do ano.

Após quase dois anos de turnê do incensado álbum “Cross”, o grupo escolheu o Brasil para finalizar sua excursão mundial (além do Rio, também tocou em São Paulo, no Skol Beats). E o clima era mesmo de megashow: apesar da noite fria e dos altos preços (os ingressos chegavam a R$ 160), o Circo estava lotado, e a expectativa pela entrada dos franceses era palpável ao longo do bom set de abertura do Mixhell, projeto do ex-Sepultura Igor Cavalera com sua esposa Laima.

Pouco após a uma da manhã, as luzes se apagaram e a cruz-símbolo da banda iluminou a pista do Circo, em meio a uma histeria coletiva que só fez aumentar ao início de “Genesis”, música de abertura de “Cross” e que foi apresentada em versão semelhante à do disco. No decorrer da noite, no entanto, a ordem da casa seriam versões bastante editadas dos hits (e não tão hits) do grupo, em estilo semelhante ao apresentado pelo Daft Punk no show do TIM 2006, com trechos de bases e vocais cirurgicamente inseridos. O resultado? Catarse eletro-rock, com pessoas dançando ao lado de outras que batiam cabeça como verdadeiros headbangers.

Queimaram o sucesso “D.A.N.C.E” logo de cara, apresentado no já manjado remix do MSTRKRFT. Por sua vez, “Stress” ganhou uma providencial bombada nos graves, ao tempo que em “DVNO” já eram visíveis os crowd-surfers na boca do palco (algo nunca visto por mim em shows de eletrônica). Ah, e teve “Waters of Nazareth”, das melhores já feitas pelo duo, e que no live fica ainda mais suja. Deliciosamente suja.

O ponto fraco ficou por conta de “The Party”, que em disco soa cool com os vocais de Uffie, mas deixou provado que não é das mais apropriadas para apresentações ao vivo.

O auge, no entanto, veio no finzinho, com “We’re Your Friends”, a mais cantada da noite, apresentada em versão estendida, e durante a qual inúmeras pessoas podiam ser vistas chorando e se abraçando na platéia.

No retorno para o (curto) bis, mais pauleira, com cinco minutos de um sampler quebradeira de nada menos que “Master of Puppets” (isso mesmo, a do Metallica!!!), os estrobos a mil e o mosh pit comendo solto na pista do Circo. Apoteótico foi pouco.

Beck - Modern Guilt

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Se há um fio condutor na errática carreira de Beck, é seu amor pelas coisas que já passaram. Soul, folk, rock and roll...chamem de retrô, mas o respeito com que ele trata instituições desse grande universo que é a música pop é de doer. Foi assim desde “Mellow Gold”, seu primeiro e grande álbum, em 94; e é assim neste “Modern Guilt”, recém-lançado, e no qual o cantor dá prosseguimento a uma carreira que, desde o mediano “Midnight Vultures”, não conhece nada além de pontos altos.

 

Dentro da dinâmica dialética pela qual a música popular evolui, Beck consegue unir sístole e diástole: dar o passo para trás e, ao mesmo tempo, os dois para frente. Sendo assim, ninguém melhor para emoldurar a “culpa moderna” do título do que Danger Mouse, freak que, atuando no Gnarls Barkley ou produzindo álbuns de nomes como o Black Keys, tem o dom de repaginar e extrair caldo daquilo que todos julgavam seco.

 

Em quase 15 anos de carreira, o artista californiano divide seus trabalhos em dois grupos quase homogêneos. Em um deles, opta por reler temas específicos, como o soul ou o folk, casos, respectivamente, de “Midnight Vultures” e “Sea Changes”; no outro, os une todos dentro das próprias canções, pra lá de híbridas, como é o caso do clássico “Odelay”, e deste novo álbum, que em muito remete à produção do próprio cantor nos anos 90.

 

O mais curioso na história toda talvez seja o fato de que, em meio a esse verdadeiro liquidificador de referências, Beck conseguiu forjar uma indubitável identidade; uma colcha de retalhos que, de alguma forma, ganha vida própria. Sendo assim, é ouvir os primeiros beats e o violão carregado de efeitos de “Orphans” para rapidamente se entender o terreno no qual se está adentrando. Certos pontos, logo se percebe, permanecem iguais, como a voz dobrada e a entonação propositalmente sem expressão do cantor. “Gamma Ray”, segunda na ordem e primeiro single, é um pop lisérgico de batida marcada e backing vocals em (muitas) camadas, que poderia ter saído das sessões de “Odd Couple”, do Gnarls. Da mesma forma na faixa-título, na qual a mão de Danger Mouse se faz sentir com peso, mas na medida.

 

Talvez esse seja o grande segredo da coisa: ao mesmo tempo em que bota para pensar, consegue soar “friendly user”. Vejam o exemplo de “Chemtrails”: de baixo seco e percussivo na entrada, é uma faixa de melodia complicada, quebrada, cheia de nuances e fades. Senha para chatice, ou no mínimo, pretensão excessiva. Na prática, no entanto, a coisa rola prazerosa, à maneira como o pop deve ser. No headphone ou na pista (“Youthless” lembra algumas coisas de Moby, outro talento da mesma estirpe), Beck consegue burilar seus trabalhos de forma a possibilitar vários ângulos de visão sobre um mesmo tema, e nisso esse “Modern Guilt” consegue sem dúvida evoluir ainda mais em seu já alto patamar.

 

Dessa forma, mais maduro e longe do hype (do qual um dia, é vero, já se aproveitou e muito), Beck fez um trabalho para se descobrir aos poucos, faixa após faixa. Estou nele há um mês (algo raro, nesses tempos de banda larga e inspiração curta), e o prazo de validade ainda parece longe de expirar. Desde já, um dos melhores discos deste 2008. Fácil.

 

Eles não são de Barcelona*

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Então, essa entrevista com o I'm From Barcelona rolou meio no susto. Curto bastante a banda mas, não me perguntem bem o porquê, a possibilidade de falar com os caras não havia me passado pela cabeça. Enfim, foi ver o show FANTÁSTICO que eles fizeram no Coachella e sair correndo pra catar a assessora e agendar alguma coisa realmente em cima da hora. No final, rolou embarcar depois de uns jornalistas mexicanos, e consegui entrevistar o vocalista, Emanuel, ali mesmo no gramado da tenda de imprensa. Foi bacana. Segue a matéria.

 

Eles não são de Barcelona

*Matéria originalmente publicada no jornal "O Globo", em  13 de junho 

 

Curiosos, estes novos tempos globalizados. Outrora, quando alguém seria capaz de pensar que da Suécia poderia vir uma das coisas mais legais da Espanha nos últimos tempos? Parece estranho, e de certa forma o é; mas é o caso do I’m from Barcelona, banda da gelada cidade sueca de Jönköping, que reivindica o nome da terra de nosso compatriota Ronaldinho Gaúcho para dar ao mundo uma das mais felizes surpresas do rock alternativo dos dias atuais.

Formado em 2005 pelo vocalista e guitarrista Emanuel Lundgren, o I’m From Barcelona surgiu como um raio no cenário indie e, com pouco mais de dois anos de existência, já começa a conquistar corações e mentes ao redor do globo, levantando como bandeira a quase infalível fórmula do pop sueco, que já deu ao mundo nomes como Cardigans, Wannadies e, mais recentemente, Peter, Bjorn and John: letras prosaicas, guitarras limpas e um senso melódico impar, com canções-chiclete forjadas para perdurar na cabeça.

“Minha maior influência foi uma paixão. Estava perdidamente apaixonado, e comecei a fazer músicas que não se encaixavam em nenhum dos grupos em que já havia estado. Comecei então a chamar alguns colegas para gravá-las comigo, e estes amigos foram chamando mais amigos”, revelou Lundgren, em entrevista ao Rio Fanzine.

Ao que parece, o rapaz é mesmo popular: ao todo, não menos que 29 pessoas gravaram o primeiro EP da banda, “Don´t Give up on Your Dreams, Buddy”, logo sucedido pelo álbum “Let Me Introduce My Friends” , lançado no verão de 2006. O detalhe (ainda mais) curioso: a maior parte delas permanece unida até hoje, excursionando pelo mundo com esta que talvez seja a maior big band do pop atual.

Mas com um nome desses, fica no ar a pergunta: algum integrante da banda realmente vem de Barcelona?

“Eu certamente não, como você pode ver”, brinca o vocalista, um sueco de feições nada mediterrâneas. “Pensando bem, é irônico uma banda com tanta gente não ter nem ao menos uma pessoa realmente de Barcelona”.

Objeto de curiosidade, o nome do grupo deriva de um personagem de uma antiga série de TV chamada “Faulty Towers” , um atrapalhado mordomo cujo nome era Manuel.

“O personagem se chamava Manuel, um nome muito parecido com o meu, e tinha um bordão que era ‘Eu sou de Barcelona (“I’m from Barcelona”)’. Um dia nos lembramos disso após algumas cervejas, e quando vimos, já tínhamos um nome para a banda”, diz Emanuel, em uma explicação improvável como o é o som do conjunto, um verdadeiro coral indie pop que por vezes lembra os americanos do The Polyphonic Spree.

Mas a verdade é que, tão logo se vê a banda em ação em uma de suas catárticas apresentações ao vivo, fica fácil entender o porquê do improvável espaço que vem ganhando dentro e fora do mundo alternativo (sua música “This Boy” vem tocando até mesmo em comerciais da fabricante automotiva Chrysler!). Como em um daqueles times de futebol tão comuns à cidade que lhe dá nome, o I’m From Barcelona joga para a platéia, e tem sua principal força no jogo de conjunto.

Em sua recente e explosiva apresentação na última edição do festival californiano Coachella, o grupo entrou em campo com o jogo ganho: além de decorar o palco com bolas coloridas, inundou a platéia com enormes balões vermelhos, provocando um verdadeiro frenesi antes mesmo do início do show.

O que se seguiu não foi menos que uma festa, na qual a harmonia de canções fáceis como “We’re From Barcelona” e “Collection of Stamps” emergia em meio a um verdadeiro caos em cena, e que terminou com toda a banda em plena pista, unida ao público em um inacreditável trenzinho que percorreu todo o local.

“Na verdade, nós não ensaiamos tanto quanto se imagina para uma banda com esse número de integrantes, há muito improviso em nossa performance. Mas nós realmente temos tocado muito, e dessa forma as coisas terminam se acertando”, diz.

E por falar nisso, como será a vida em uma banda cujo tamanho equivale a dez vezes o de grupos como, digamos, o Green Day?

“Na verdade, a banda foi formada para gravar o disco, não sabia que a coisa iria para frente. Se soubesse que terminaríamos excursionando tanto, certamente não teria chamado tanta gente”, brinca o vocalista. “Mas a verdade é que temos conseguido viajar e nos apresentar em muitos paises, apesar de termos tantos integrantes. Para mim, é muito bom poder continuar trabalhando com os meus amigos”, acrescenta Emanuel, responsável pela maior parte das composições do grupo.

E as coisas estão dando tão certo que não devem parar por aí: após excursionar por quase dois anos com as músicas de “Let Me Introduce My Friends”, o grupo deve lançar seu novo trabalho ainda em 2008.

“Devemos estar com o novo disco pronto no outono (primavera no Brasil). Antes, fizemos um disco de verão; agora tentaremos fazer um trabalho que dure as quatro estações”, diz.

E o que esses suecos da Catalunha pensam de tocar no Brasil? Planos para um futuro próximo? Segundo Emanuel, vontade é o que não falta.

“Na verdade, temos muita vontade de tocar aí, pois recebemos muitas mensagens de fãs do Brasil, mas até agora não há nada em vista. Mas nós só estamos esperando o convite”, revela. A festa por aqui certamente seria linda.

Enfim, Chinese Democracy

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Parece piada, eu estou ligado. Mas o fato é que um site americano vazou o novo do Guns N’ Roses. Ok, talvez “novo” soe mesmo engraçado. Mas o fato é que o site disponibilizou (e logo tirou do ar) nove faixas do disco novo, “Chinese Democracy”. E ao que parece, agora é de verdade.

 

Sem exagero, dá pra dizer que é um dos maiores mitos da nossa culturinha pop. Muita gente acreditou que nunca fosse rolar. Os números todos que envolvem o lançamento são superlativos: QUINZE anos de gravação, quase VINTE músicos envolvidos e inacreditáveis TREZE MILHÕES DE DÓLARES gastos.

 

Algumas faixas, como “Madagascar” e “Better”, já tinham vazado em versões demo ou sido tocadas ao vivo, mas agora aparecem em versões masterizadas. Outras três ("Rhiad and the bedouins", "If the World" e uma outra ainda sem nome) são novas novas.

 

Quanto ao disco em si: basicamente, se trata do Guns N’ Roses (na verdade Axl Rose, o único que sobrou da banda original) tentando soar moderno com (pelo menos) dez anos de atraso. Acho que funcionaria melhor se tivesse sido lançado no espaço de tempo ao qual certamente pertence: a década de 90.

 

O ponto é: pro nível de expectativa que se criou em cima da coisa, é praticamente impossível que se corresponda. Estou falando de quinze anos, QUINZE anos, uma geração inteira. Quando Axl começou a gravar esse disco, não tinha 11 de setembro, mp3, ninguém sabia o que era internet e celular era coisa de rico. É claro, pois, é compreensível, que soe anacrônico. Faixas como “Better” são o que o Filter, o Fear Factory, ou sei lá, algumas dessas derivações de Nine Inch Nails faziam no fim do século passado. E já passou.

 

Em uma primeira audição, a que me soou melhor foi “There Was a Time”, de arranjo grandioso, com cordas, solos e ba, toda aquela cartilha que os fãs curtem. É também o momento em que você sente falta da guitarra bluesy do Slash.

 

A voz de Axl continua a mesma, bem rasgada, e ainda dá um bom caldo, especialmente nas faixas mais pesadas, como “Rhiad and the Bedouins”. “Madagascar” já tinha sido tocada por aqui no show do Rock and Rio, e abusa dos barulhinhos de teclados no verso, ainda que tenha um bom refrão. “IRS” tem um começo que é um equívoco, com violão e beat eletrônico, e segue meio perdida, alternando climas em demasia, sem chegar a nada perto de algo homogêneo.

 

Mais tarde vou ver se coloco um link pro arquivo com as faixas aqui. Ou dá pra achar no Torrent mais próximo.

All the girls standing in the line...

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Pharrell Williams é um sujeito hiperativo. Em um período de, vá lá, três meses, o cara produziu mais da metade do novo disco da Madonna; cantou com o Casablancas e a Santogold no single comemorativo dos 100 anos da Converse e agora aparece com esse novo álbum de seu projeto “rock and roll", o N.E.R.D, “Seeing Sounds”.  

Particularmente, nunca morri de amores pelo N.E.R.D (sempre preferi seu alter ego hip hop, o Neptunes). Mas o lance é que o primeiro single do disco novo, “Everyone Nose (all the girls standing in the line for the bathroom)”, tá causando uma polêmica. A música em si é bem razoável, embora um pouquinho repetitiva; o beat é empolgante (Pharrell é bom nisso), mas nada muito diferente do que ele já tenha feito antes. O lance é a letra que, como o título entrega, versa de maneira nada discreta sobre aditivos químicos consumidos nos banheiros dos clubes (alguém sabe do que ele está falando?). 

O polêmico clipe tem imagens de garotas que vivem, ahm, na fila do banheiro, como Lindsay Lohan e sua namorada, Samantha Ronson, além de outras figurinhas do xoubiz gringo, como o rapper Kanye West (que fez um remix bombadasso pra track), e carrega a mão nas referências apologéticas. Saquem só:

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