Texto e fotos por Herik Correia Rocha
Pontualmente às 21 horas sobe ao palco de forma bem discreta o círculo de punheteiros mais famoso do mundo, os californianos do Circle Jerks para a sua primeira apresentação no Brasil, já que em novembro de 2008 a banda adiou a sua vinda por conta do internamento às pressas do vocalista Keith Morris, vítima de uma hiperglicemia, a qual resultou em uma parada cardíaca já que ele sofre de um tipo sério de diabetes (tipo 2) desde 1999 e constantemente enfrenta os reflexos negativos decorrentes da doença.
Com casa lotada de fãs e moshers, Keith Morris (vocal), Greg Hetson (guitarra), Zander Schloss (baixo, que já tocou com Joe Strummer, do The Clash) e Kevin Fitzgerald (bateria, ex-Geraldine Fibbers) entram detonando tudo com "Question Authority" do clássico Wild in the Streets, já pondo fogo na roda de pogo e apresentando os primeiros stage dives da noite, bem ao estilo do mascote da banda.
Tocaram suas canções hardcore de todos os seus seis discos de estúdio, porém o debut álbum Group Sex de 1980 foi o que mais teve músicas executadas como as clássicas Red Tape e Bervelly Hills. Por sua vez os discos que tiveram menos músicas executadas foram o Oddities, Abnormalities and Curiosities e Wonderful. Do último registro inédito da banda Oddities, Abnormalities and Curiosities de 1995 mandaram duas músicas, as ótimas "Anxious Boy" e "I Wanna Destroy You", nesta a banda pausa a música para um discurso de Morris após pedido de silêncio aos fãs para que pudesse falar, assim como no DVD ao vivo Show Must Go Off!. Do Wonderful de 1985, o destaque ficou para "I Am I", deixando de fora uma das minhas preferidas "Wonderful" a música título do álbum. Deste disco o público insistia em pedir "Making the Bombs" foi quando Morris solta algo do tipo: "Deixem as bombas pra lá! Vamos nos divertir, cantar, pular, beber...!".
O quarteto foi democrático para com os álbuns Wild in the Streets, Golden Shower Hits e VI onde tocaram quatro canções de cada, com destaque para é claro "Wild in the Streets" cantada em uníssono pelos roqueiros de todas as idades presentes, a rapidíssima "In Your Eyes", "Coup d'Etat" que fez parte da trilha sonora do clássico filme Repo Man, onde o baixista Zander Schloss atuou como ator. Do meu álbum preferido o VI mandaram "Beat Me Senseless", "Fortunate Son", "All Wound Up" e "I Don't", deste álbum poderiam ter tocado todas (hehe).
Dentre blocos de músicas tocadas a banda dava longas pausas para se hidratar, pegar fôlego e Morris dar seus discursos, quando lá pelas tantas diz: "I can't fucking understand what i wrote in here, so fuck it, let's play"!, algo como "Eu não entendo que merda eu escrevi aqui, então que se foda, vamos tocar"! Aliás, quando o baterista Kevin Fitzgerald errou a entrada de uma das músicas foi repreendido por Morris e a banda teve que começa-la, mesmo assim o quarteto norte americano se mostrou bem ensaiado e entrosado.
Foram muitas as surpresas durante o show, dentre elas a inédita em álbuns "I'm Gonna Live" e o cover de Solitary Confinement do The Weirdos. Mas surpresa mesmo, foi a volta do bis, onde a galera foi a loucura com nada mais nada menos que quatro covers do Black Flag: "Revenge", "Gimme Gimme Gimme", "Depression" e "Nervous Breakdown". Para quem não sabe o vocal Keith Morris foi o primeiro vocalista do Black Flag, onde foi expulso pelo excessivo uso de drogas, substituído por Henry Rollins. Já o guitarrista Greg Hetson também toca no Bad Religion, aliás Greg poderia dar mais atenção ao Circle Jerks já que é anos luz melhor que o Bad Religion.
Após aproximadamente uma hora de show, muitas músicas e quase 30 anos de estrada e mesmo com Morris calvo na parte de trás da cabeça, muitas rugas e olheiras, ainda ostenta longíssimos dreadlocks e uma potente e inigualável voz rouca. Com certeza uma aula do verdadeiro hardcore tão deturpado nos dias de hoje.
Já com o palco sendo desmontando para a balada original do Easy, uma grande parte do público saiu cantando "We Are the World", algo surreal para um show hardcore!
Mais fotos:
Rock and roll com roubada fica mais gostoso, a correia do ônibus solta durante a viagem, porém nada grave, só uma breve interrupção que desvendou um bonita paisagem:

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