Dynamite

Entries for month: March 2009

CIRCLE JERKS DÁ AULA DE HARDCORE EM SÃO PAULO

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Texto e fotos por Herik Correia Rocha

Pontualmente às 21 horas sobe ao palco de forma bem discreta o círculo de punheteiros mais famoso do mundo, os californianos do Circle Jerks para a sua primeira apresentação no Brasil, já que em novembro de 2008 a banda adiou a sua vinda por conta do internamento às pressas do vocalista Keith Morris, vítima de uma hiperglicemia, a qual resultou em uma parada cardíaca já que ele sofre de um tipo sério de diabetes (tipo 2) desde 1999 e constantemente enfrenta os reflexos negativos decorrentes da doença.

 

Com casa lotada de fãs e moshers, Keith Morris (vocal), Greg Hetson (guitarra), Zander Schloss (baixo, que já tocou com Joe Strummer, do The Clash) e Kevin Fitzgerald (bateria, ex-Geraldine Fibbers) entram detonando tudo com "Question Authority" do clássico Wild in the Streets, já pondo fogo na roda de pogo e apresentando os primeiros stage dives da noite, bem ao estilo do mascote da banda.

 

Tocaram suas canções hardcore de todos os seus seis discos de estúdio, porém o debut álbum Group Sex de 1980 foi o que mais teve músicas executadas como as clássicas Red Tape e Bervelly Hills. Por sua vez os discos que tiveram menos músicas executadas foram o Oddities, Abnormalities and Curiosities e Wonderful. Do último registro inédito da banda Oddities, Abnormalities and Curiosities de 1995 mandaram duas músicas, as ótimas "Anxious Boy" e "I Wanna Destroy You", nesta a banda pausa a música para um discurso de Morris após pedido de silêncio aos fãs para que pudesse falar, assim como no DVD ao vivo Show Must Go Off!. Do Wonderful de 1985, o destaque ficou para "I Am I", deixando de fora uma das minhas preferidas "Wonderful" a música título do álbum.  Deste disco o público insistia em pedir "Making the Bombs" foi quando Morris solta algo do tipo: "Deixem as bombas pra lá! Vamos nos divertir, cantar, pular, beber...!".

 

O quarteto foi democrático para com os álbuns Wild in the Streets, Golden Shower Hits e VI onde tocaram quatro canções de cada, com destaque para é claro "Wild in the Streets" cantada em uníssono pelos roqueiros de todas as idades presentes, a rapidíssima "In Your Eyes", "Coup d'Etat" que fez parte da trilha sonora do clássico filme Repo Man, onde o baixista Zander Schloss atuou como ator. Do meu álbum preferido o VI mandaram "Beat Me Senseless", "Fortunate Son", "All Wound Up" e "I Don't", deste álbum poderiam ter tocado todas (hehe).

 

Dentre blocos de músicas tocadas a banda dava longas pausas para se hidratar, pegar fôlego e Morris dar seus discursos, quando lá pelas tantas diz: "I can't fucking understand what i wrote in here, so fuck it, let's play"!, algo como "Eu não entendo que merda eu escrevi aqui, então que se foda, vamos tocar"! Aliás, quando o baterista Kevin Fitzgerald errou a entrada de uma das músicas foi repreendido por Morris e a banda teve que começa-la, mesmo assim o quarteto norte americano se mostrou bem ensaiado e entrosado.

 

Foram muitas as surpresas durante o show, dentre elas a inédita em álbuns "I'm Gonna Live" e o cover de Solitary Confinement do The Weirdos. Mas surpresa mesmo, foi a volta do bis, onde a galera foi a loucura com nada mais nada menos que quatro covers do Black Flag: "Revenge", "Gimme Gimme Gimme", "Depression" e "Nervous Breakdown". Para quem não sabe o vocal Keith Morris foi o primeiro vocalista do Black Flag, onde foi expulso pelo excessivo uso de drogas, substituído por Henry Rollins. Já o guitarrista Greg Hetson também toca no Bad Religion, aliás Greg poderia dar mais atenção ao Circle Jerks já que é anos luz melhor que o Bad Religion.

 

Após aproximadamente uma hora de show, muitas músicas e quase 30 anos de estrada e mesmo com Morris calvo na parte de trás da cabeça, muitas rugas e olheiras, ainda ostenta longíssimos dreadlocks e uma potente e inigualável voz rouca. Com certeza uma aula do verdadeiro hardcore tão deturpado nos dias de hoje.  

 

Já com o palco sendo desmontando para a balada original do Easy, uma grande parte do público saiu cantando "We Are the World", algo surreal para um show hardcore!

Mais fotos:

 

 

 

 

 

Rock and roll com roubada fica mais gostoso, a correia do ônibus solta durante a viagem, porém nada grave, só uma breve interrupção que desvendou um bonita paisagem:

 

 

FLY BY NIGHT INATIVO

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A sessão Fly By Night (Agenda da Semana) ficará inativa por tempo indeterminado por questões operacionais. Continuem conferindo neste blog resenhas de shows, discos e novidades do mundo musical e cultural de Curitiba.

MANU CHAO: DO REGGAE AO HARDCORE NUM PISCAR DE NOTAS

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Texto e fotos por Herik Correia Rocha

Foi a primeira vez que fui conferir o Manu Chao, sempre com os apelos de que era um puta show, esperando uma apresentação calma e tranquila, calcada em reggae, me assustei com o peso, a velocidade e o ritmo do show, mesmo com o alerta de um amigo.

 

Do reggae ao hardcore na mesma música, show extremo, vibrante, contagiante, energético, um dos melhores shows que vi na vida (e olha que já vi muitos shows) e com certeza um dos melhores shows que o público curitibano já presenciou!

 

A casa cheia foi contagiada pela energia de Manu e sua competentíssima banda Radio Bemba, mas o mais legal foi Caho e seu sexteto se contagiar com a energia dos fãs que fizeram nos tocar por cerca de duas horas e meia (!!!), o que resultou, senão estou enganado, em três bis, já que a grande maioria não arredava o pé do lugar e pedia em coro pela sua volta! Impressionante!

 

Creio que esta reação tem uma explicação: a banda toca com muito tesão e garra, existe uma interatividade banda/ publico imensa, percebe se que todos ali se divertem, gostam do que estão fazendo, e não apenas ‘cumprem tabela'. O guitarrista Madjid é super competente, se divertiu com o gargarejo, destruiu nas seis cordas, fazia o que queira com seu instrumento tamanha a facilidade com que lida com sua guitarra, com certeza um virtuoso.  O baixista Gambeat segue a mesma linha, preciso, detona nas quatro cordas, também interage com a galera! Os demais integrantes que completam a banda David Bourguignon (bateria), Garbance (percussão), Julio Lobos (teclados) e Angelo Mancini (trompete) também deram conta do recado, interagem, porém com menos intensidade.

 

Lá pelas tantas Chao solta essa:

"Si yo fuera Maradona

Saldria en mondovision

Para gritarle a la FIFA

Que ellos son el gran ladron!"

 

Citei ali em cima reggae e hardcore, porém no caldeirão de Chao entra ritmos bem diversos como punk rock, leves skas, rumba, flamenco e outras latinidades que pode parecer incompatíveis de se mesclar, porem Manu Chao faz isso com maestria, criando um estilo único e sem igual no mundo musical moderno.

 

As musicas são tocadas diferentes das versões de estúdios de seus álbuns, mesmo assim o publico canta com vigor. O clássico primeiro álbum "Clandestino" é o mais venerado, porem músicas de seu último álbum "La Radiolina" não ficaram de fora e mais ao fim do show os fãs foram agraciados com vários covers de sua antiga banda o Mano Negra, cantadas por Garbancito, percussionista original do Mano Negra. De despedida Manu surra seu próprio peito com o microfone terminando um vibrante e inesquecível show, um verdadeiro show!

 

DAZARANHA TOCA EM CURITIBA NESTA QUARTA-FEIRA

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by Adriana Reis

Os manés da ilha foram ovacionados no seu último show em Curitiba e estarão de volta na cidade dia 11 de março no Yankee Bar, comemorando os dois anos da casa com John Bala Janes  abrindo os trabalhos da noite.

O Yankee Bar recebeu o Daza em janeiro e novamente repete a dose.

No início do ano a banda conseguiu atrair um grande público e lotou a casa, em plena quarta-feira, quando já havia começado o ano letivo e muitos já tinham voltado a trabalhar.

A banda que é composta por seis músicos desde a sua formação original, contratou o baterista João Basañez que tem influências do instrumental, samba e do reggae para agregar sua música ao rico som do Daza. Também são contratados os metais: trumpete, sax e trombone. Ao todo os dez músicos fazem uma zoeira harmônica no palco comandada por Gazu, o vocalista.

A excelente percussão de Gerry e o violino não estridente de Fernando Sulzbacher, que segundo ele "é um tocar que se encaixa doce na música e nem de longe remete aos sons dos desenhos japoneses". Fazem desse encontro "som, reggae amor..." com os demais instrumentos e a voz de Gazu que continua macia e não envelheceu com os anos, até mesmo porque em "terra de cego, quem tem um pássaro é rei".

As letras das músicas ainda seguem contando histórias corriqueiras da ilha como a canção "Nossa Barulheira".

A tríplice aliança da banda é mantida pelos hermanitos: Gazu, Muriel e Gerry. Uma cumplicidade musical que se vê no palco e é muito gostosa de ouvir.

A música "Carolina" não se parece com a do Seu Jorge e nem chega a ser um hit desses que cola no ouvido como Ana Julia da banda Los Hermanos. Ela é mais bonita por fazer homenagem às mulheres, as várias mulheres. É uma canção muito bem arranjada e lembra um tipo de mulher cajuína. Suerte das garotas da ilha já que lá dona Janaína é moça and bonita.

O Daza fez em janeiro um show contagiante com muita gente cantando junto no gargarejo. O som deles é a fuder...

Vai ser bom assim lá na casa amarela!

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