Eu gosto. E quando eu gosto eu vou atrás e faço o diabo pra descobrir tudo. Nesse consegui até uma entrevista (e o e-mail, msn, facebook...) do rapaz.
Eu o descobri já tem um tempinho, na minha busca de músicas novas por blogs e como eu estava ouvindo bastante coisa diferente, na musica eletronica a sonoridade dele me atraiu muito. Vou colar a matéria que fiz aqui com o Nuuro e que saiu na última edição da Revista Dynamite.

Além de qualquer ideologia política, alheio a qualquer tendencia musical. Ele é um exemplo de como um artista deve se portar. Com apenas 19 anos de idade, este venezuelano erradicado em Nova Iorque já entendeu muito mais sobre como funciona o mercado da música, como mostrar seu trabalho de forma inteligente e acima de tudo como fazer música de boa qualidade E EM CASA. Seu trabalho traz influencias de IDM, Triphop e um tiquinho de pop, é claro. Mas se você olhar bem, bem no fundo, existe algum propósito muito maior no seu trabalho. Senhoras e senhores, com vocês, Alejandro Ghersi, ou melhor, Nuuro.
Creep: Primeiro de tudo: Quem é Nuuro? Como você começou na música e quando?
Nuuro: Nuuro é um projeto audiovisual que iniciei em 2002 como uma válvula de escape para as minhas criações. Comecei piano por volta dos seis anos de idade e quando era adolescente comecei a produzir. O resto, como dizem, é história.
Creep: Você começou bem cedo na música, então... Com 16 você gravou seu primeiro álbum na Poni Republic do México, estou certo? E agora você está lançando um outro álbum, o “Reddest Ruby”. Como foi o processo de gravação?
Nuuro: Yeah! Eu gravei o Reddest Ruby durante minhas férias de Dezembro de 2008 na Venezuela.
Creep: Eu vi que existe algum conceito no álbum no geral que relaciona as m´sucias e as imagens.. Qual é esse conceito? E é você quem faz as ilustrações?
Nuuro: Não. A direção de arte ficou por conta de um amigo muito querido meu de Nova Iorque, o Nikolay Saveliev, baseado num poema que escrevi para o álbum. O conceito... O conceito é um tipo de jornada. Algo como uma estória passada numa época medieval em algum canto do mundo. Na verdade no momento ando muito interessado em poesia e literatura dessa época, e é a primeira vez que coloco esses elementos tão visíveis no meu trabalho.
Creep: A mídia especializada, vulgo os blogs de música, te colocam num grupo comum da nova música eletronica alternativa. E existem algumas bandas na Venezuela, como Todosantos que fazem a tão famigerada e infame New Rave. O que você acha disso? E quais são suas influencias nesse sentido?
Nuuro: Recentemente eu tenho ouvindo muito Moondog. É realmente estimulante ouvi-lo
Creep: Mesmo? E porquê?
Nuuro: Sim! Ele é o tipo de cara que viveu nas ruas de Nova Iorque e custeou a si próprio vendendo sua arte e sua poesia. E atuando na rua mesmo, sabe?
Creep: Imagino... Mas onde isso entra na sua música?
Nuuro: Bem só pelo fato de ser um artista audiovisual, já contaria. Mas o fato é que a música dele é realmente impressionante e prende sua atenção. E por soar atemporal, não penso na música como um fator da moda [ como a New Rave ]. Se a música é boa, ela passará no teste de aprovação do tempo. É o que eu acho.
Creep: Bem, eu acho seu som bem parecido com o do Patrick Wolf. É claro, com um toque latino. Posso até estar errado...
Nuuro: Por mais que eu esteja familirizado com o o trabalho do Patrick Wolf, não acho que existam muitas semelhenças entre nossos trabalhos. Talvez, num nível pessoal, haja alguma consistência nisso, como idades semelhantes e fazer música com synth, mas fora isso, acho que a abordagem do trabalho é diferente. E pelo toque latino, isso está no sangue de qualquer sulamericano, de um jeito ou de outro né?
Creep: Existe uma cena musical, que envolva música eletronica, como você e o Todosantos?fervilhante na Venezuela?
Nuuro: Sim, com certeza! Existe uma cena fervilhante na Venezuela. Contudo, recursos e oportunidades são mais dificeis de se conseguir, pelo menos para os músicos. Mas sem dúvidas isso traz resultados mais interessantes. Pelo menos eu acho.
Creep: Sabemos que em seu país existem muitas pessoas preocupadas com os rumos políticos do país. No seu trabalho, existe algum foco político ou é viagem minha?
Nuuro: Acho que é viagem sua. Nunca pensei em politizar o meu trabalho, mas não acho isso atrativo de forma alguma.
Creep: Bem, é que isso se torna um lugar comum quando os artistas vêem seu povo, sua cultura sendo dominada pelas mãos de poucos...
Nuuro: Possível, mas isso deixa o trabalho só com uma cara, um tempo. E no geral eu não penso que isso vá elevar a qualidade do trabalho. Não com esse tipo de apelo. Em outras palavras eu quero manter meu trabalho sobre minhas próprias perspectivas, sem esse tipo de influência externa, embora no futuro eu possa mudar este pensamento.
Para saber mais: http://www.myspace.com/nuuro ou http://www.nuuro.net

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