Skol Beats. O Festival que você fez foi uma falha. Desculpe.
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Skol Beats
O Festival que você fez, foi uma falha.
Uma fria noite num shopping de céu aberto com um – ótimo - show do Justice e um show do Digitalism numa primavera com cara de inverno. Talvez essa a melhor definição para a 9ª edição do Skol Beats.
Neste ano, a produção do evento decidiu co-criar o evento junto com o público, através de discussões no fórum do site sobre os artistas e o formato do evento. Grande parte dos artistas foram escolhidos tendo em vista os votos feitos no fórum. Apenas os artistas da Tenda Terra não foram escolhidos por este processo. Com a – estranha - estrutura de um palco principal e duas tendas, sendo uma aqui e outro acolá , o evento parecia um garoto perdido no meio de um tiroteio numa rave. Entendeu?
Assim, vamos por partes.
A abertura do evento ficou pelo Killer on The Dance Floor que não teve uma votação muito expressiva no fórum do Skol Beats. Ok, o SB tem fama de apostar em vanguarda e alguns nomes ali no festival não tinham sido votados (como é o caso dos artistas na Tenda Terra). É legal apostar na vanguarda, mas para uma dupla que não possui uma base tão consolidada (veja bem, eu adoro o KOTD)abrir um festival é meio tiro no pé e deveras arriscado. Além de ser uma puta responsabilidade para todos os lados envolvidos.
Já que é pra abrir um festival que tal apostar em hits? Funciona? Funciona! Vamos fazer isso? Vamos... Deu certo né? Deu. Ok. A apresentação deles foi tipo isso. Um remix ali (Destaque para o remix de Rihanna e Madonna. Ok, foram bons mesmo.) umas produções ali e só. O clima era esquentar a galera que começava a chegar. Aí veio o Montage com seu electro made in Ceará e o Daniel Peixoto performático como sempre pula, dança, xinga, grita, chama convidados (Bárbara do Impostora. Oi?) mas não dá pra saber se foi bom por que a maioria das apresentações são iguais ou pelo momento.Foi um ponto importante na carreira da banda (dupla?) cearense, é claro. Mas inegável que não era o lugar apropriado para essa apresentação. Convenceu, mas foi FAIL!. Alguns minutos de espera e entram Layma Leiton e Iggor (Igor com um 'gê' ?)Cavalera, a.k.a MixHell.
Montage
Mixhell
foto: divulgação
A surpresa foi a presença de uma bateria no palco, dando um ar orgânico ao duo maximal-overpower-casal-semi-deuses-encarnados (contém ironia) que já remixou Bitchee Bitchee ya Ya Ya e inúmeras outras bandas. Foi ok, mas algo deu errado. Não entendi exatamente a apresentação. Vamos encarar como um aquecimento para a próxima apresentação. E isso é o que você precisa saber sobre eles. Sério.
Depois de todos os artistas que abriram, hora do show do Jus... HAHAHAHAH. O highlight da noite claro que foi a tão aguardada dupla francesa das jaquetas de couro. Quem mais? O Mixhell não foi. Nada pessoal.

foto: divulgação
Gaspard Augé e Xavier de Rosnay não falam. Fumam um cigarro atrás do outro e levantam a mão. É um show frio (em termos e em relação a atitudes deles em relação ao público). Mas para quem estava na grade não soou nada frio. O interessante foi a presença de mais indies do que araras circa 97 (também conhecidos como um tipo raro hoje, em vias de extinção: os clubbers). É a verdadeira democratização da música eletrônica. Viva a inclusão digital. Voltando ao show do Justice; No palco 'um potente soundsystem' de 8x8 decorativo e a famosa cruz no meio do palco (daí o nome Cross ou † ou qualquer coisa relacionada a isto) a dupla que já tocou anônima aqui em 2005 no extinto Amp Galaxy, voltou triunfal com a mala cheia de hits. Estavam todos lá: “We Are Your Friends” do SMD mas já adotada para o Justice e que foi o hit indie de 2006, o recorte “D.A.N.C.E” (que é uma singela homenagem a Michael Jackson. A dupla não fala inglês, então selecionaram frases de músicas do rei do pop e botaram um balde de crianças para cantar. Deu certo)e a disco-glitch-tech-maximal “D.V.N.O”. Até mesmo momentos tensos como “Stress” (Cujo clipe dirigido por Romain Gavras foi vetado por televisões européias e americanas por ser considerado uma apologia a violência) ficaram extremamente dançantes ali. Fim do show, corpos moídos e alguns pontos de audição a menos, hora de descansar.
Claro, não fui ver o Marky que é uma perca de tempo total.
Pausa para uma análise sobre o Marky: O cara pode ter sido e pode até ser o maior dj do Brasil. Mas de um estilo morto, de quando a música eletrônica precisava ser levada para fora dos clubes. A cena mudou, hoje existe uma aceitação 'midiática' da e-music. O Drum n' Bass é dado como morto. IMHO ou é muita brodagem ou falta de uma curadoria ali. Fico com as duas opções, pode ser?
Não viu o Marky? Não perdeu nada. Se você já viu um set-desde-sempre já sabe o que esperar.
A próxima atração eu não entendi direito. Era o tal do Pendulum. Uma cópia de Linkin Park que não funcionou, não empolgou, o som falhou e meia de dúzia de fãs gostou. Acabou.
Não fiquei até o Digitalism tocar. Mas segundo relato do meu acompanhante e fotógrafo wannabe (hahahahahaha)Goss foi a melhor apresentação da noite. Apesar do Som Baixo, o live empolga e apesar de um problema técnico aqui e outro ali, as músicas da dupla se encaixam uma na outra (algo que não acontece com o Justice, apesar de ter uma ótima mixagem) como se fossem uma só. E não são. De certa forma, num festival de música eletrônica isso é ótimo. Perdi no final das contas o Agoria e o Dubfire.
O Skol Beats chegou a sua 9ª edição. Mas talvez não chegue a décima. Esperamos que nem chegue. O evento que batia no peito de ser o maior festival de música eletrônica, hoje não passa de mais um festival com cara de shopping. Mercado Mundo Mix? Praça de alimentação H2o+Lanchonetes de Grife? Djzinhos engana trouxa no vazio? Nem uma caixinha de som sequer? Se o Skol Beats não acabou agora, espero que o Creamfields em 2009 preencha a vaga de um festival de música eletronica por aqui. Na verdade não existe a necessidade. A cena hoje é auto-suficiente e exporta nomes para fora. Mas Ninguém vem pra cá, daí a necessidade de eventos como esse. E se a 10ª edição não melhorar: RIP.
Veja trechos SB
Links:
http://www.skolbeats.com.br/
www.myspace.com/etjusticepourtous
www.myspace.com/digitalism
www.fotolog.com/montage
-> Logo mais colocarei algumas músicas no ar dos artistas dessa edição do Skol Beats.

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