Se eu já estava esperando há muito tempo o AC/DC sair em tournée novamente, depois que eles lançaram o excelente CD "Black Ice" aí então que a ansiedade aumentou mesmo!
Eles não são apenas uma das minhas bandas favoritas, mas também serviram de trilha sonora pra muitos momentos importantes da minha vida quando eu era moleque. A dúvida era: será que eles ainda estarão em forma? Mas a resposta veio, e veio com tudo...
Adivinha quem vai tocar...
The Answer
Esta banda irlandesa foi a abertura perfeita pro AC/DC, uma vez que toca "Rock'n'Roll pesado", ou o que podemos chamar "Hard Rock tradicional", ou seja, "som de bar" (e visual de bar também, diga-se de passagem, não de "salão de beleza" como já ocorreu muito no meio do Hard Rock).

Rock and Roll irlandês tem ainda mais sabor de cerveja...
Outra coisa: nada de baladas - um super Blues, "Preachin'", foi a coisa mais "lenta" que eles tocaram (pense em "Led Zeppelin"). "Tonight" começa "preguiçosa", mas desanda rapidinho; o refrão é "pegajoso", mas como a pegada da banda é brava e legítima isto acaba funcionando a favor. Nada como um Rock'n'Roll raivoso que ainda fica na cabeça... O mesmo ocorre com "Under The Sky" (na qual o vocalista Cormac Neeson toca gaita) e "Too Far Gone" (a levada desta última é um verdadeiro mergulho no passado), e isto é o que faz com que a banda esteja subindo rapidinho em direção ao estrelato - primeiro na Europa e agora chegando aos EUA. As outras duas tocadas, "On And On" e "Demon Eyes", detonam mesmo e não é à toa que foram as músicas que abriram o show, bem no estilo: "Chegamos, preste atenção!".

Cormac Neeson tem garganta de rockeiro!
Falando nisso, fique atento você também e confira o som dos caras aqui.
Anvil
Se por um lado eles tiveram a sorte do convite do AC/DC para abrir esta parte da tournée devido ao bem-sucedido documentário da luta da banda (escrevi sobre o mesmo aqui e aqui), por outro o estilo de música que eles tocam trabalhou um pouco contra eles.
Eu explico: ficou claro que estava tudo regulado para um show de Rock'n'Roll - o The Answer soou perfeito e o AC/DC (claro!) soou fantástico. Mas o Anvil, que toca Heavy Metal puxado para o Thrash Metal, ficou com o som embolado e barulhento. Uma pena, uma vez que a exposição tocando em estádios lotados é algo inestimável, sem mencionar que eles tocaram um set list poderoso.

Legal ver que o Lips ainda sola com um vibrador...
Só ter aberto com a poderosa instrumental "March of The Crabs" e fechado com a clássica "Metal On Metal" impressionaria qualquer fã de Metal que não conhece o Anvil. Mas infelizmente o som não ajudou. Se "Mothra", "Winged Assassins" e "School Love", que teriam sido bem palatáveis pro pessoal que não curte um som tão rápido, sofreram, imagine os petardos "666" e "Winged Assassins"... De qualquer forma, o pessoal agitou bastante no show e uma coisa óbvia ficou ainda mais óbvia - Robb Reiner é um super baterista, se destacando por detrás da parede de som. E em "White Rhino", outra instrumental tocada no set, teve a oportunidade de dar "a sua mensagem" no típico solo.
Lips, o eterno "frontman"!
Valeu a pena pra quem conhecia o som do Anvil. Pra quem não conhecia, as opiniões ficaram divididas. Uma pena. Eles merecem ser redescobertos.
AC/DC
Pois é, o que já virou a "típica abertura com desenho animado" nesta tournée é a melhor até hoje - temos um trem em alta velocidade com os membros da banda celebrando nos vagões e Angus Young, vestido de demônio, alimentando a maria-fumaça com carvão. Angus então é atacado por duas garotas muito sexy e o trem acaba batendo. E este é o fundo do palco - uma maria-fumaça gigantesca que muda de acordo com a música (pega fogo, solta fumaça, ganha chifrinhos...) e também há um telão que às vezes desce sobre a mesma.
O novo palco do AC/DC, com direito até mesmo a "Rock'n'Roll Train"!
Claro, a música de abertura tinha que ser "Rock'n'Roll Train", uma das cinco do novo álbum distribuídas estrategicamente dentro do set list (e o novo hit da banda, merecidamente); as demais foram: "Big Jack" (o tipo de música que o AC/DC faz como ninguém e a razão para que bandas como Def Leppard e Cinderella tenham sido criadas), "War Machine" (típica música da "segunda-fase" da banda, que por sinal já dura décadas), a espetacular "Anything Goes" (o que pode ser considerada uma música de AC/DC "mais comercial" e mesmo assim soa mais Rock de verdade que a maioria do "Rock" feito no mundo hoje) e a ótima música-título "Black Ice" (que mostra que o AC/DC também sabe fazer "AC/DC diferente"; quem manja sabe o que eu estou dizendo).

Certas coisas não mudam, ainda bem!
O resto do set, meu Deus, foi só clássicas. Deixe-me, aliás, correr o risco de ser apedrejado na rua ao dizer o seguinte: "Dog Eat Dog" e "Hell Ain't A Bad Place To Be" são clássicas sim, mas são mesmo as melhores escolhas entre tantas clássicas? Pense em "Rock'n'Roll Damnation", "Go Down", "Live Wire", "Bad Boy Boggie", "Riff Raff", "Problem Child" e a lista se estende até a China... Claro, escutar o AC/DC tocando "Meu Ursinho Blau Blau" já estaria valendo, ainda mais as ótimas "Dog Eat Dog" e "Hell Ain't A Bad Place To Be", estou apenas levantando uma questão válida porque o AC/DC tem muita música melhor ainda pra escolher...
Angus é o cara!
Este não foi o primeiro show do AC/DC que vi na minha vida (até cobri e participei de um videoclipe deles), e te digo que os caras comparecem e fazem o serviço a cada vez!
Como ficar parado em "Dirty Deeds Done Dirty Cheap", não berrar "Shot Down In Flames", não levantar os punhos no ar em "Thunderstruck" (foi este o clipe!), não se arrepiar com "Back In Black"?

Mister Rock e Mister Roll!
Também se deu muita risada com a "câmera safada" da banda que zoou legal com a mulherada em duas músicas: toda vez que a banda cantava "She's got the Jack" ("ela tem gonorréia") em "The Jack", a câmera mostrava uma garota da platéia no telão. O mesmo ocorria cada vez que Brian Johnson gritava: "You Shook Me All Night Long" ("você me sacudiu a noite toda")... Mas todo mundo levava na esportiva (após passado o susto de quem se via lá no telão!) e a diversão rolava solta.

Brian Johnson, o senhor dos canhões
E algumas coisas previsíveis ainda assim nunca deixam de funcionar como novidades: o sino gigante em "Hell's Bells", a gigantesca Rosie inflável em "Whole Lotta Rosie" (neste palco ela fica montada no trem), os canhões em "For Those About to Rock" (que foi a segunda música do biz e fechou o show). Se não estiverem lá, fazem falta. Se tiverem, como sempre estão, levantam a galera.

No telão, parece que o Brian vai pegar a Rosie...
Mas teve mais: a memorável "T.N.T.", a bombástica "Shoot To Thrill", a icônica "Highway To Hell", a poderosa "Let There Be Rock" (com direito a solo de guitarra de 15 minutos de Angus! Ele até mesmo percorria um caminho até o meio do público e subia numa torre pra solar). Inesquecível.
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Angus solando na torre com chuva de confetes
Quando você tiver a chance de ver o AC/DC ao vivo, não perca. Se você gosta de Rock, é o mais próximo que você chegará do Paraíso nesta vida!

Ídolo imortal!
[Fotos: Simone Mihich Bueno]

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4 Aug, 2009 às 11:41 AM Great sound, great performance, 2 thumbs up!!
5 Aug, 2009 às 10:14 AM Yeah, dude! It was awesome! :)