Dynamite

"Quanto Dura o Amor", tem muitas qualidades. Mas não decola.

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O universo do centro paulistano volta aos cinemas em "Quanto Dura o Amor", o novo filme Roberto Moreira. Diferente deseu ultimo filme,  “Contra Todos”, a periferia não é o espaço utilizado por ele, dessa vez, a Av. Paulista e sua região é o grande foco.

Diferente do que se pode pensar, e aqui Roberto Moreira deixa isso bem claro, essa região tão glamourizada principalmente por quem é de fora da cidade, não é tão encantadora assim. Em certo momento Marina fala, "Imagina só quando me perguntarem, onde você mora? E eu digo: eu moro na Paulista cara", mostra o deslumbre pela região, de quem chega de fora.

Seus personagens, de classe média, algumas frustradas, algumas em busca de realização profissional, mas principalmente amorosa, se encontram e se perdem entre suas ansiedades.

Amores que vão além, ou não, da sexualidade. Amantes que toleram, ou não, a infidelidade. Namoros que superam distancias, amizades que superam diferenças e paixões que não suportam a pressão social.

Todos esses fatores são trabalhados em “Quanto Dura o Amor”, que apresenta um elenco equilibrado em suas interpretações, uma fotografia correta, ótima decupagem e acerta até nas músicas. Mas ainda assim, Roberto parece querer manter certa distancia de todos os seus personagens, talvez por isso resolva contar a historia de tantos. A garota do interior Marina (Silvia Lourenço), que veio atrás de seu sonho de ser atriz, a advogada paulistana Suzana (Maria Clara Spinelli) que é uma transexual realizada profissionalmente porém em busca de um amor, o escritor de um livro só, Jay (Fábio Herford), que se apaixona pela prostituta Michelle (Leilah Moreno), a viciada e bissexual cantora Justine (Danni Carlos) e seu marido interpretado por Paulinho Vilhena.

A grande quantidade de personagens não nos deixa se aproximar realmente de nem um deles. Não há envolvimento, e talvez a fotografia e decupagem correta demais para o tipo de vida e clima dos personagens, ajude nesse distanciamento.

Diferente de “Contra Todos”, aqui Moreira em vez de câmera na mão e fotografia mais suja, optou por uma câmera parada, luz correta e planos grandiosos.

Como citou o crítico Francis Vogner dos Reis no site www.revistacinetica.com.br, Roberto Moreira “troca o amargo pelo agridoce”, e o tipo de dramaturgia aplicada ao filme, com esse forte distanciamento, acaba por deixar um filme com ótima premissa, o que poderia ser utilizada com bem mais força, em um filme morno. Bem produzido, bem realizado, mas apenas morno.

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