Dynamite

O musical "Avenida Q", estética inocente e texto ácido resultam em ótimo espetáculo

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A dupla Charles Möeller (diretor) e Claudio Botelho (supervisor músical), dupla responsável por musicais como "Sweet Charity", "7 - O Musical" e "Gloriosa", entre muitos outros sucessos, trazem a São Paulo "Avenida Q", musical original da Broadway, que entrou em cartaz desde o último sábado dia 15 de agosto no teatro Procópio Ferreira, de quinta a domingo.

Depois de uma temporada de bastante sucesso no Rio, o musical politicamente incorreto, chega a São Paulo com uma produção de cerca de R$ 3 milhões, onde se mistura atores e bonecos manipulados pelo próprio elenco. Aparentemente inocentes e até infantis, que à primeira vista nos lembram bonecos como os do programa "Vila Sésamo" e "Os Muppets", essa aparente inocência só permanece até a primeira piada.

A trama acontece em um prédio na decadente Avenida Q, distantes da refinada Avenida A, onde moram os ricos. O cenário para onde jovem Princeton (André Dias) vai começar sua vida após sua formatura. Lá conhece seus novos vizinhos e amigos, personagens como nomes como Japaneuza (Claudia Netto), Kate Monstra/Lucy de Vassa (Sabrina Korgut) e Ursinha do Mal/Dona Coisa Ruim (Renata Ricci).

Os personagens se esforçam e se ajudam para encontrar cada um à sua maneira, trabalho, amor e rumo para suas vidas.

 

Recheada de músicas com títulos como "Que Merda Que Eu Tô", "Se Ele For Gay" e "Todo Mundo É Meio Racista", os atores-ventríloquos dão graça e dinamismo com uma mis-an-cene impressionante e um texto ácido e corajoso, e fazem dessa montagem, um refúgio para quem estava sentido falta de mais ousadia nos textos teatrais.

Ótimas interpretações, o cenário de Rogério Falcão do cortiço americano é grandioso, os figurinos de Mareu Mitschke são muito bons e nos surpreendem, luz de Paulo César Medeiros certinha e pouco ousada, mas com merecedora da indicação ao Prêmio Shell.

O recurso de bonecos é usado para atenuar verdades pouco convenientes para o público americano, mas que não são nem de longe tão chocantes para os brasileiros.

Avenida Q
Teatro Procópio Ferreira
R. Augusta, 2.823 - Cerqueira César - Oeste. Telefone: 3083-4475.
Aceita os cartões Amex, Diners, MasterCard, Visa. Ingresso: R$ 70 (qui.), R$ 80 (sex. e dom.) e R$ 90 (sáb.).

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