Sem desmerecer seus filmes anteriores, os ótimos "Nina" e "Cheiro do Ralo", Heitor Dhalia com seu novo filme "À Derica" chega a sua fase de cinematografia adulta. Com um drama familiar forte e uma estética moderna, acompanhando propostas cinematográficas como de "O Casamento de Rachel", de Jonathan Demme por exemplo.
No filme, de roteiro do próprio Dhalia, conta a historia de Felipa, uma garota de 14 anos, durante as férias na praia, passando por seus dilemas amorosos e acima de tudo, enfrentando um drama familiar forte. O conflito amoroso entre seus pais.
“À Deriva” tem esse nome talvez, por nem um de seus personagens terem rédia da própria vida. Suas vidas e a do restante da família, está tão diretamente ligada, que um depende do outro para definir o caminho da própria vida. Uma familia sempre se comporta assim. Nem uma decisão é tomada exclusivamente por sua própria vontade. Você é impossibilitado de fazer algo porque tem pais, porque tem filhos, porque é casado, enfim, milhões de fatores que o deixam à deriva.
Interessante observar a descrição do livro que Mathias (Vicent Cassel) diz estar escrevendo durante o filme, onde descreve um triangulo amoroso, e a posição desses personagens é como estar em um lugar desconhecido. “Os três estarão onde jamais estiveram. Aquilo é um mundo novo para eles”. Essa talvez seja a sínteze de todo o filme. A família chegará à um lugar onde jamais estiveram até o fim daquele verão.
Todos os personagens principais, irão terminar o filme diferentes de como os conhecemos no incio. Eles tomarão decisões no momento final, que independem um do outro, então a partir dessas decisões, irão a um lugar desconhecido, onde jamais estiveram.
Heitor Dhália mais uma vez, realiza um filme inteligente, e agora, sai da comédia de costumes, do sarcasmo, do surrealismo, do humor negro e chega ao mais próximo possível do realismo dramático, intimista e adulto.
"À Deriva" apresenta ainda uma trilha fabulosa de Antonio Pinto, interpretações memoráveis, principalmente do casal central Vicent Cassel e Débora Bloch, ela em especial dá um show com uma interpretação forte e sutil. Há ainda a fotografia granulada de Ricardo Della Rosa, nos remete mais ainda a temporalidade do filme no início dos anos 80.
Heitor Dhália, mesmo com fortes críticas aos seus dois primeiros filmes, já havia conquistado seu público, agora parece conquistar a crítica, e constrói uma forte cinematografia. "À Deriva" é um filme emocionante, atual e acima de tudo, universal.

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