Dynamite

Entries for month: July 2009

Em "À Derriva", Heitor Dhalia atinge sua maturidade cinematográfica.

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 Sem desmerecer seus filmes anteriores, os ótimos "Nina" e "Cheiro do Ralo",  Heitor Dhalia com seu novo filme "À Derica" chega a sua fase de cinematografia adulta. Com um drama familiar forte e uma estética moderna, acompanhando propostas cinematográficas como de "O Casamento de Rachel", de Jonathan Demme por exemplo.

No filme,  de roteiro do próprio Dhalia, conta a historia de Felipa, uma garota de 14 anos, durante as férias na praia, passando por seus dilemas amorosos e acima de tudo, enfrentando um drama familiar forte. O conflito amoroso entre seus pais.

À Deriva” tem esse nome talvez, por nem um de seus personagens terem rédia da própria vida. Suas vidas e a do restante da família, está tão diretamente ligada, que um depende do outro para definir o caminho da própria vida. Uma familia sempre se comporta assim. Nem uma decisão é tomada exclusivamente por sua própria vontade. Você é impossibilitado de fazer algo porque tem pais, porque tem filhos, porque é casado, enfim, milhões de fatores que o deixam à deriva.

Interessante observar a descrição do livro que Mathias (Vicent Cassel) diz estar escrevendo durante o filme, onde descreve um triangulo amoroso, e a posição desses personagens é como estar em um lugar desconhecido. “Os três estarão onde jamais estiveram. Aquilo é um mundo novo para eles”. Essa  talvez seja a sínteze de todo o filme. A família chegará à um lugar onde jamais estiveram até o fim daquele verão.



Todos os personagens principais, irão terminar o filme diferentes de como os conhecemos no incio. Eles tomarão decisões no momento final, que independem um do outro, então a partir dessas decisões,  irão a um lugar desconhecido, onde jamais estiveram.

Heitor Dhália mais uma vez, realiza um filme inteligente, e agora, sai da comédia de costumes, do sarcasmo, do surrealismo, do humor negro e chega ao mais próximo possível do realismo dramático, intimista e adulto.

"À Deriva" apresenta ainda uma trilha fabulosa de Antonio Pinto, interpretações memoráveis, principalmente do casal central Vicent Cassel e Débora Bloch, ela em especial dá um show com uma interpretação forte e sutil. Há ainda a fotografia granulada de Ricardo Della Rosa, nos remete mais ainda a temporalidade do filme no início dos anos 80.

Heitor Dhália, mesmo com fortes críticas aos seus dois primeiros filmes, já havia conquistado seu público, agora parece conquistar a crítica, e constrói uma forte cinematografia. "À Deriva" é um filme emocionante, atual e acima de tudo, universal.

"Cinema ao Luar" leva cinema e música de graça ao Parque Ibirapuera

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Hábito nas noites parisienses, agora em São Paulo. Durante um final de semana de julho vai rolar cinema ao ar livre na parte externa do Auditório do Ibirapuera entre os dias 24 e 26.

Inspirada nos festivais de cinema ao ar livre do parque La Villete e Cinema au Clair de Lune, em Paris, a iniciativa tem o objetivo de promover, de maneira gratuita, o cinema francês e a música brasileira.

Com o inverno, a idéia é que o público tenha a oportunidade de curtir o frio, e que ele chegue preparado para isso com mantas, casacos, guloseimas e lixinho. Tudo o que for preciso para garantir uma noite agradável de inverno ao ar livre.

Na programação, o ótimo e pouco assistido por aqui, “O Gosto dos Outros”  de Agnès Jaoui, o pop e gostoso O Fabuloso Destino de Amelie Polain de  Jean-Pierre Jeunet  e para encerrar, uma leve comédia no domingo Obelix: Missão Cleópatra de Alain Chabat.

Além dos filmes, a programação conta com apresentação de música, contando participações  da OBA (Orquestra Brasileira do Auditório)  ao lado de Carlos Malta, Laércio Freitas e Banda Mantiqueira.

“Cinema ao Luar” apresenta uma proposta diferenciada, curiosa e muito gostosa para  um final de semana mais tranqüilo ou mesmo somente o inicio  de uma noite mais prolongadae melhor ainda, é de graça pra todo mundo. Que tal aproveitar um pouco dessa boa programação de julho que nos presentearam.

 

CINEMA AO LUAR

24 de julho, sexta

19h - Brasil: Carlos Malta + + OBA (Orquestra Brasileira do Auditório)

20h - França: O Gosto dos Outros (Le Goût des Autres) – 112’

25 de julho, sábado

17h - Brasil: Laércio de Freitas +  OBA (Orquestra Brasileira do Auditório)

18h - França: O Fabuloso Destino de Amelie Polain (Le Fabulex Destin D’Amelie Poulain) – 120’

26 de julho, domingo

17h - Brasil: Banda Mantiqueira + OBA (Orquestra Brasileira do Auditório)

18h - França: Astérix e Obelix: Missão Cleópatra (Asterix et Obelix: Mission Cléopâtre) – 107’ 

"Horas de Verão" é o retrato do fim de toda uma geração

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“Horas de Verão” é o ultimo de Olivier Assayas, diretor e roteirista de filmes como “Clean” e “Demonlover“, contano ainda com participações em “Paris, te Amo” e “Cada um com seu cinema”. Com apenas quatro longa-metragens, teve duas indicações a Palma de Ouro em Cannes por exemplo.

“Horas de Verão” nos conta a historia de três gerações de uma mesma família, e sua relação entre eles e a casa de verão, símbolo do final de toda essa geração. A casa,  recanto próximo a Paris, testemunha de segredos, amores, momentos felizes daquela família. Hélène, interpretada pela ótima Edith Scob, é a matriarca da família, e também, o grande elo entre seus filhos e netos.

Relação por exemplo, de Hélène e sua casa é totalmente diferente do restante da família. Os seus filhos, Frédéric (Charles Berling), que vive na França. Adrienne (Juliette Binoche) é uma artista que vive nos EUA e Jérémie (Jérémie Renier) que tem planos de ir morar na China.

Mais que um imóvel, “Horas de Verão” traz em suas entrelinhas, discussões sobre valores, sejam eles familiares ou culturais. Se discute ainda o valor do apego, da carga emotiva que cabe e material  que esse bem contém na divisão da herança e como esses valores mudam de geração pra geração.

Para os filhos, a casa já não faz parte é parte de suas vidas. Para Jérémie por exemplo, a França já não é parte de seu mundo e nem de sua esposa e filhos. Mais uma vez, o cinema retratando a perda de identidade cultural, retratando a nova geração sem pátria.

Não mais importa de onde viemos, mas sim onde, e somente onde, se constrói o mundo a qual, se ganhará dinheiro ou se terá status. A globalização traz por fim, essa superficialidade genealógica, onde a única ligação com a pátria mãe pode ser a língua, e isso basta.

A síntese do filme, está no momento solitário de Hélène, após a visita de seus filhos. Quando antes, um dos filhos fala “Essa casa continua viva” e a emprega responde, “Duas vezes no ano quando vocês estão por aqui”. Logo depois essa conversa faz sentido. Hélène então encontra-se sozinha. Questionando a pressa com que os filhos saíram de casa, enfatizando o individualismo que a sociedade moderna nos colocou.

Olivier coloca, filosófa, questiona sobre todas essas questões de maneira disfarçadamente simplória. Algo dramaturgicamente parecido com o usado por Jean Becker , em “Conversa com meu Jardineiro”. A utilização do cotidiano, para se discutir temas sérios, fazendo esses assuntos, se enquadrarem totalmente no nosso dia a dia. Seja através de ações ou mais claramente, de palavras.

“Horas de Verão” conta ainda com uma fotografia bela. Com movimentos de câmeras de tirar o fôlego. Eric Gautier é o responsável por isso. Com movimentos que conversam dramaturgicamente com o filme, Gautier encanta nosso olhos, e nos emociona com seus movimentos ousados.

O filme é cheio de grandes acertos. Do roteiro, com personagens ricos e densos, com sua belíssima música e também a escolha do elenco. “Horas de Verão” é um rico filme francês, novo, politizado e questionador. E melhor, gostoso e acessível.

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