Dynamite

Entries for month: October 2008

"Fatal"

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 Cartaz do filme "Fatal"que tem no elenco Sir Ben Kingsley e Penélope Cruz.

 

Esse é o filme que tô namorando agora. Pretendo asistí-lo amanhã. Dirigido pela minha cineasta em atividade favorita, Isabel Coixet, que reina num mar cheio de diretores, queridinha de Pedro Almodóvar ( ele produziu seus dois primeiros filmes ) e conterrânea do mestre, Isabel já nos brindou com pérolas como "Minha vida sem mim" e "A vida secreta das palavras", ambos filmes já tratados na antiga coluna "Cinema assim"que deu origem a esse Blog. Bem, o curriculo de Isabel me obriga a conferir esse novo trabalho...

 

Ensaio sobre a Cegueira

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Cena do filme de Fernando Meirelles.

Vamos aos fatos. Fernando Meirelles refez o filme pensando no que o público iria achar do seu novo filme o que prejudica muito a confiança do que vemos na tela. Com medo do que poderia causar as cenas fortes de estupro que existem no livro e na primeira versão do filme que foi exibida em Cannes desse ano, Meirelles “suavizou” a cena tornando-o quase incompreensível, o que nos traz a seguinte questão, o filme precisava de uma forte cena de estupro? A que esta nos cinemas não basta? Pessoalmente acho que o que acabou indo a público basta sim, mas incomoda muito saber que existia uma outra versão mais “ousada”e que simplesmente foi eliminada visando as bilheterias.

Diretor e elenco do filme na abertura do festival de Cannes desse ano.

Bem, essa estratégia não deu certo, o filme estreiou em 12º lugar nas bilheterias americanas. Fora essa discussão existem muitas outras vindas com a estréia do filme, muitas duvidas de gosto, mas de fato pouca coisa funciona no filme, grandes cenas são perdidas, como poderia ter sido da igreja com as imagens vendadas, a essência da perda da humanidade contida nas cenas de estupro e no ambiente descrito no livro dentro do sanatório de quarentena é mal executada ( boa parte culpa da trilha anti-climax que estraga a construção das cenas), a estética de gosto duvidoso à lá revista “Viver bem” ( com closes-ups publicitários em pecas do “bem estar simples” frutas, chuvas etc ) permeia a exaltação do simples sem muita identificação nos gestos dos personagens – e não estou da falando da ótima fotografia, extremamente criativa diga-se. Mas uma coisa não falha do começo ao fim, Julianne Moore, precisa, exata, exala identificação com sua personagem durante o filem todo, algo fundamental já que o filme é calcado no seu personagem delicado e forte sem que uma característica sobressaia da outra, sem que isso não seja perceptível.

Julianne Moore em cena do filme.

O que não significa total ausência de acertos, Julianne Moore como já citada é um deles, outro grande acerto é a brincadeira que a câmera faz com a “cegueira”, ora não vemos um objeto outra ora ele passa a aparecer após ser atingido pelo caminho de um cego, outra cena igualmente brilhante é o momento em que um cego no sanatório toma pra si o comando do lugar, é então que dois cegos voltam para suas camas, um branco apoiado num negro, e o cego branco ( e provavelmente racista ) diz com raiva ao cego negro “só podia ter sido um negro a fazer isso” ( subjugar os demais ) e o cego negro pergunta, “como você sabe que ele era negro?”, “Percebi pela voz dele”. Claro que nessa cena nenhum sabe da etnia do outro, o que a torna um Oásis de critica social em meio a tantas cenas sem muita imaginação ou sentimento.

Julianne Moore e Mark Rufallo em cena do filme.

Mesmo assim é delicioso ver essa São Paulo apocalíptica que existe no filme, reconhecer os ambientes familiares da cidade, agora reformulada, destruída pelo caos, nos da uma idéia do fino trato que a sociedade reza consigo mesma todos os dias e que impõem uma ordem frágil as nossas vidas. Divertido, mas sem o compromisso do livro, aqui a imaginação da lugar à ilustração na grande maioria das vezes.

Promoção

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Mostra de Cinema de São Paulo

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Dia 17 de outubro começa a 32ª mostra de cinema de São Paulo. A programação que se estende até o dia 30 do mesmo mês já pode ser consultada no site da mostra : http://www2.uol.com.br/mostra/32/p_home.shtml 

 

Linha de Passe

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Walter Salles e Daniela Thomas voltam a mostrar na intimidade em que têm, um trabalho coletivo que já o fizeram criar antes filmes como “Terra Estrangeira” e “O Primeiro dia”. Aqui as particularidades do cotidiano de uma família de baixa renda da capital de São Paulo são os motivos do filme e desse reencontro após dez anos desde “O primeiro dia” ( o último longa em que trabalharam juntos ) e dois anos após “Paris, te amo” ( cujo o curta “Loin du 16ème ” eles assinam juntos ).

Cena do filme de Walter Salles e Daniela Thomas.

“Linha de passe” e seu núcleo familiar é um fiel microcosmo do atual estado das relações sociais dos mais pobres frente às dificuldades aos quais os esforços governamentais são fracassados ou nulos.  Para cada um desses entraves poderia se surgir uma análise ideológica muito canhestra, como às vezes o filme ameaça se enveredar, vide as relações dos pobres com os ricos que se pode, no mínimo, acusá-las de serem um retrato muito mais rico dos “menores” e mais fraca da classe “alta”, visão que em momentos passa a ser o próprio motivo de algumas cenas. Obstante o jogo das relações familiares aqui é muito bem posto, bastante forte e de extrema cumplicidade com as emoções do expectador. Ver aos enlaces pelos quais os personagens do filme passam é equivalente a torcer pelo seu time querido ou algo que se pareça com isso.

A reflexão do espírito humano ( ou o confronto desse ) proposto pelas igrejas que aparecem em “linha de passe” se unem as "crenças" do futebol para explicar o vazio das classes mais baixas.

Cartaz do filme.

Por “linha de passe” alguns poderiam entender como uma mera metáfora de um momento decisivo ou elucidativo dos esforços em jogo de alguns personagens seja do futebol ou desse filme, outros podem pressupor que os diretores foram um pouco mais longe ao simples esquematismo de realizar um filme metáfora e que aspiraram a uma delicada história que apoiada no elenco fenomenal ( prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni no festival de Cannes desse ano ), consegue ser contada pelas esperanças de pessoas simples e seres humanos eternamente relegados aos preenchimentos de seus “vazios”, seja a ausência de um pai ou pela chance de realizar um sonho, que em maior ou em menor grau, todos temos. Tamanha identificação com o lado humano tão bem conduzido em “Linha de passe” parece nos chamar à razão de que em muitas situações no dia a dia o “eu“ se estende à um pouco além da tela do cinema.

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