Dynamite

Diretor Eduardo Valente em

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Primeiro longa de Eduardo Valente, de roteiro dele dividido com Felipe Bragança, do ótimo “O Céu de Suely” traz um tema exaustivamente batido, a violência, contado de uma forma nova, inteligente e coerente.

No Meu Lugar” conta historia de uma tentativa de assalto seguido de assassinato em uma casa em Laranjeiras, bairro carioca da zona sul que é longe da mira dos turistas. Digamos que pode ser descrito como um dos bairros mais cariocas do Rio de Janeiro. Lugar onde o diretor Eduardo Valente cresceu, e talvez por isso o nome do filme “No Meu Lugar”.

O filme mostra uma violência que não é aquela que vemos nas favelas e nos parece tão distante, a não ser que sejamos abordados na rua ou atingidos por uma bala perdida. Mas sim uma violência que podemos encontrar em ruas calmas ou dentro de casa. Coisas de uma cidade como o Rio e Janeiro ou qualquer outra.

No Meu Lugar” por sinal, pode fazer referência a cidade, ao bairro ou mesmo a casa onde vive a familia principal da historia. O filme é contato em dois tempos diferentes, com vários personagens que se cruzam. Algo que nos faz lembrar de filmes como “21 Gramas” e “Babel” de Alejandro González Iñárritu.

Mas aqui, nos sentimos mais próximos. Personagens mais comuns, próximos de nossas realidades. Nada tão dramático, nada exagerado. Personagens ricos sim, mas com grande sutileza.

Realizar um filme onde se brinca com a temporalidade da historia e com o número de personagens que apresenta o filme é algo difícil de se fazer bem feito. E Eduardo Valente realiza muito bem. Sua parceria com Quito Ribeiro, o montador, foi de fundamental importância para esse bom resultado.

O filme apresenta ainda boa fotografia, boa música (o que é raro no nosso cinema) e interpretações excelentes. Valente acerta em cheio ao escolher rostos poucos conhecidos do grande público, dando mais realiadade a cada personagem. O espectador não visualiza um ator ou uma atriz, e sim o que esta vendo na tela.

Valente é, ou pelo menos era, curta-metragista com prêmio em Cannes em seu primeiro trabalho, “O Sol Alaranjado”, e posteriormente mais dois exibidos por lá “Castanho” e “O Monstro”, o terceiro, o meu preferido. Seu primeiro longa foi selecionado para o Festical de Cannes e tem produção de Walter Salles e distribuição da Videofilmes. Mas apesar de grandes e bons nomes envolvidos, o filme tem o tamanho certo. É um filme intimista, e que como primeiro trabalho, chama atenção bela qualidade e ganha o público pelo filme que é e não pelo publicidade que teve. Pois sua publicidade foi pouca ou mesmo zero. O filme foi mais divulgado em sites e jornais.

Cinema brasileiro de alta qualidade que não será um grande sucesso de público pela complexidade da historia, pelo clima intimista, pela distribuição limitada e por não ter grandes nomes no elenco. Mas que acima de tudo  firma Eduardo Valente como um dos mais prósperos diretores da nova geração.

Reta final da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo

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Estamos no meio da 3Mostra de Cinema de São Paulo, e em meio a essa maratona cinematográfica, e agora chegam alguns dos filmes mais esperados. Como o ultimo filme da dupla Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) e Karin Ainouz (Céu de Suely), o “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, que poderá ser assistido hoje as 22h no Unibanco Arteplex 2.

Temos ainda no domingo, “A Fita Branca”, filme vencedor do Festival de Cannes desse ano, o ultimo filme de Michael Haneke está com certeza entre os mais disputados da Mostra, ainda mais que está sem previsão de estreia por aqui.

Depois da exibição do filme “Deixa Ela Entrar”na ultima quinta feira dia 29 de novembro no auditório da FAAP, com direito a debate com o diretor depois da sessão, teremos na terça dia 02 de novembro no Unibanco Arteplex 1 a exibição de “I Love You Phillip Morris”, produção americana com o ator Rodrigo Santoro, com debate após a sessão, pois parte da equipe estará presente.

Apesar de um bom número de filmes, algumas ótimas opções, esse ano está havendo entre os cinéfilos algumas reclamações.

Uma dela sobre a qualidade dos filmes de um modo geral , outra é da grande quantidade de documentários (mas isso parece ser uma tendência mundial), que passam por Mamonas Assassinas, Maradona, Joãozinho Trinta e até um documentário japonês sobre o futebol brasileiro.

A desorganização da Mostra de São Paulo continua sendo a maior das reclamações. Leon Cakoff, o curador e dono da Mostra, precisa frequentar mais o Festival do Rio, e aprender por lá como se faz uma mostra com muitos filmes, muitas estreias, muita gente interessada e ainda assim manter a organização.

Mas, como por enquanto, Cakoff ainda é o dono da bola, vamos jogar seguindo suas regras. E mesmo com a desorganização e a falta de respeito com o público e até com jornalistas (ano passado foram retirados jornalista com credencial de dentro de uma sala de cinema), vamos correr atrás dos filmes que queremos, prestigiar e torcer para que um dia as coisas melhorem por aqui. Afinal, é isso que temos.

"Quanto Dura o Amor", tem muitas qualidades. Mas não decola.

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O universo do centro paulistano volta aos cinemas em "Quanto Dura o Amor", o novo filme Roberto Moreira. Diferente deseu ultimo filme,  “Contra Todos”, a periferia não é o espaço utilizado por ele, dessa vez, a Av. Paulista e sua região é o grande foco.

Diferente do que se pode pensar, e aqui Roberto Moreira deixa isso bem claro, essa região tão glamourizada principalmente por quem é de fora da cidade, não é tão encantadora assim. Em certo momento Marina fala, "Imagina só quando me perguntarem, onde você mora? E eu digo: eu moro na Paulista cara", mostra o deslumbre pela região, de quem chega de fora.

Seus personagens, de classe média, algumas frustradas, algumas em busca de realização profissional, mas principalmente amorosa, se encontram e se perdem entre suas ansiedades.

Amores que vão além, ou não, da sexualidade. Amantes que toleram, ou não, a infidelidade. Namoros que superam distancias, amizades que superam diferenças e paixões que não suportam a pressão social.

Todos esses fatores são trabalhados em “Quanto Dura o Amor”, que apresenta um elenco equilibrado em suas interpretações, uma fotografia correta, ótima decupagem e acerta até nas músicas. Mas ainda assim, Roberto parece querer manter certa distancia de todos os seus personagens, talvez por isso resolva contar a historia de tantos. A garota do interior Marina (Silvia Lourenço), que veio atrás de seu sonho de ser atriz, a advogada paulistana Suzana (Maria Clara Spinelli) que é uma transexual realizada profissionalmente porém em busca de um amor, o escritor de um livro só, Jay (Fábio Herford), que se apaixona pela prostituta Michelle (Leilah Moreno), a viciada e bissexual cantora Justine (Danni Carlos) e seu marido interpretado por Paulinho Vilhena.

A grande quantidade de personagens não nos deixa se aproximar realmente de nem um deles. Não há envolvimento, e talvez a fotografia e decupagem correta demais para o tipo de vida e clima dos personagens, ajude nesse distanciamento.

Diferente de “Contra Todos”, aqui Moreira em vez de câmera na mão e fotografia mais suja, optou por uma câmera parada, luz correta e planos grandiosos.

Como citou o crítico Francis Vogner dos Reis no site www.revistacinetica.com.br, Roberto Moreira “troca o amargo pelo agridoce”, e o tipo de dramaturgia aplicada ao filme, com esse forte distanciamento, acaba por deixar um filme com ótima premissa, o que poderia ser utilizada com bem mais força, em um filme morno. Bem produzido, bem realizado, mas apenas morno.

Festivais de Cinema pelo Brasil

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Festival de Cinema de Brasilia 

O número de Festivais e Mostras de Cinema no Brasil só tem crescido nos últimos anos. Aumentando assim a produção e conquistando cada vez mais público, os festivais as vezes são os únicos lugares que você verá um bom filme que nunca entrará em cartaz, ou ótimos curtas que não conseguem espaço em grandes circuitos de exibição.

Temos festivais para todos os gostos, dos mais sociais como o “Festival de Cinema de Belém” que leva o cinema ao interior da amazônica, como as comunidades ribeirinhas que não tem acesso ao cinema, festivais alternativos como “A Organização” no Rio de Janeiro, onde você se compromete a realizar um filme inédito de até oito minutos ou eles produziram um curta difamando quem não entregar o curta até o prazo estipulado, e até os festivais mais hypados como o Festival de Gramado, que apesar de ter perdido força mercadológica ainda hoje é um desfile de celebridades.

Um dos mais curiosos é o Festival Curta Fantástico , que esse ano em sua 4º edição, já recebe convidados internacionais, o diretor britânico Marc Price do filme COLIN, filme que custou apenas 74 dólares, o diretor é responsável por um dos fenômenos mundiais do cinema de terror da atualidade. O Festival Curta Fantástico é hoje o principal evento dedicado aos curtas-metragens fantásticos (horror, ficção-científica e fantasia), que acontece no país. Esse ano sua edição acontece entre os dias 06 a 15 de Novembro, em São Paulo.

O mais importante festival de cinema atualmente no país é o Festival do Rio. É o maior em participação de público, em cobertura da imprensa, em abertura para o mercado nacional e internacional e em apontar tendencias do cinema nacional e internacional. O Festival do Rio hoje é o maior festival de cinema de toda América Latina, e só tende a crescer.

Outro importante evento de cinema, apesar de menos conhecido do grande público é a Mostra de Cinema de Tiradentes. Que mesmo sem o desfile de celebridades, é um dos festivais que mais se encontram pensadores, críticos, produtores, diretores e roteiristas de cinema. A Mostra de Tiradentes, fora os próprios filmes em exibição, seleciona pessoas para workshops realizados durante a mostra. O curioso da mostra é saber, que mesmo hoje, firmado como um dos mais importantes eventos do cinema nacional, em Tiradentes não há um cinema. A Mostra de Cinema de Tiradentes é realizada em um cinema montado somente durante o evento, em um centro de convenções e também em um telão montado em praça pública.

Sem contar ainda as incontáveis mostras e festivais de cinema pelo país, de Manaus á Londrina, passando por Canoa Quebrada, o Guarnicê em São Luiz e o Festival de Cinema de Marília.

Os Festivais e as Mostras de Cinema provam que o brasileiro tem sede de realizar e de receber cultura. O que realmente nos falta é viabilidade de acesso. E isso significa mais cinemas e preços mais acessíveis.

Contagem regressiva para o Festival do Rio 2009

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Durante 15 dias o Rio de Janeiro será a capital oficial do cinema. O Festival do Rio vai apresentar mais de 300 filmes de mais de 60 países, exibidos em cerca de 40 locais, distribuídos entre cinemas e praças da cidade.

O Festival do Rio com esses números e com a diversificação de sua programação, se firma como o maior e mais importante Festival de Cinema do país.

O público poderá conferir filmes premiados, descobrir raridades, participar de debates e de sessões especiais com a presença de personalidades do cinema mundial. A atriz Jeanne Moreau – convidada de honra para o Ano da França no Brasil -, presença também do diretor Quentin Tarantino, do premiado diretor argentino Juan José Campanella e uma das precursoras da Nouvelle Vague, a cineasta Agnes Varda já  confirmaram presença.

São mais de 300 filmes divididos por 20  mostras, que vão desde os premiados e inéditos de diretores consagrados, como Abraços Partidos, de Pedro Almodovar, Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee – filme de abertura do Festival do Rio; Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino – sessão de encerramento, The White Ribbon, de Michael Haneke, Bright Star, de Jane Campion, passando por apostas, como Fais-mo plaisir, de Emmanuel Mouret, Eu matei Minha Mãe, de Xavier Dolan, A Pequenina, de Tizza Covi e Rainer Frimmel, e muitas outras pérolas cinematográficas que dificilmente serão exibidas de novo no Brasil. (abaixo, alguns títulos).

A Cinelândia será o ponto de encontro do público com os convidados internacionais e com o cinema nacional. As sessões de gala e popular da Première Brasil acontecem nos cinemas Odeon Petrobras e no Centro Cultural da Justiça Federal

O Cine Encontro é aberto ao público e tem como objetivo colocar o espectador em contato direto com quem faz cinema, através de debates e conversas com os realizadores e atores/atrizes dos filmes da Première Brasil, convidados internacionais de outras mostras e com representantes do meio cinematográfico. Todas as atividades do Cine Encontro tem entrada gratuita.

Filmes inéditos, exibição de clássicos, mostras especiais, retrospectivas, seminários, debates e encontros com diretores e atores internacionais fazem do evento um dos mais importantes encontros de cinema da América Latina.

O Festival do Rio acontece entre os dias 24 de setembro e 8 de outubro. A central de vendas fica no Espaço do Cinema, na Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo - Rio de Janeiro. Tel: 21 - 22261986

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